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el calafate – lá e de volta outra vez

4 - perito minitrekking 91Antes de mais nada, alerto que este post é grande. Bem grande! Afinal, foram seis dias na Patagônia. Depois de muitos posts abandonados, percebi que é muito mais fácil escrever tudo de uma vez só. Então, prepare seu cafezinho e vamos logo!Para informações práticas, aquelas essenciais – tipo quem, onde como e quando -, clique AQUI.

A PRIMEIRA VEZ A GENTE NUNCA ESQUECE / 2 DIAS EM BUENOS AIRES 

A primeira vez que fui à Patagônia foi em janeiro de 2007. Foi minha primeira viagem totalmente solo, sem conhecer ninguém e arranhando horrores no espanhol, morto de medo da grosseria dos argentinos e ainda mais do temíveis batedores de carteira de Buenos Aires. Logo no primeiro dia, ainda em Buenos Aires, meus medos desapareceram completamente, soube que mesmo se passasse algum perrengue, eu saberia me virar. Quanto ao idioma, me obriguei a falar. E é muito fácil ser entendido quando você ouve o outro e simplesmente tenta falar. Porque, por pior que seja seu conhecimento e sua pronúncia, o outro sempre achará simpático o seu esforço em tentar assimilar a cultura local. E assim eu fui até o Fim do Mundo, num pacote de viagem que me mandou pra Ushuaia e depois para El Calafate (acho muito melhor fazer neste sentido), onde eu me conheci melhor, entendi melhor o mundo e voltei apaixonado por paisagens brutalmente dramáticas e bucólicas – como dizia a apresentação da agência.

Desta vez foi diferente, pois fui em família. Sete pessoas no total – eu, meus pais, meus tios do Rio e meus tios de Vitória. Saímos do Rio na noite do dia 25 de dezembro, passamos dois dias em Buenos Aires e depois fomos para El Calafate. O que eu tenho a dizer sobre viagem em grupo grande: conheça bem seus companheiros, se vocês têm o mesmo estilo, humor, gostos, interesses… Pense duas vezes antes de viajar junto. Sério, é o melhor conselho que posso dar.

O estresse começou logo que chegamos em Buenos Aires, tarde da noite e por motivo fútil. Fomos todos dormir pra acordar como se nada tivesse acontecido. Mas estava só começando!

Na primeira manhã, fomos trocar dinheiro no Centro. Como estávamos na Recoleta/Barrio Norte, deu pra ir a pé tranquilamente. Atravessamos a 9 de Julio, passamos pela Plaza San Martin, vimos os lindos palacetes e prédios ao redor (incluindo o Ed. Kavanagh e a Basílica de Santíssimo Sacramento) e depois entramos na Florida. Desde que o governo argentino tornou quase impossível o acesso à moedas estrangeiras, o câmbio paralelo se tornou uma realidade em Buenos Aires. Não é preciso ter medo, pois tudo acontece normalmente e a polícia faz vista grossa.

Plaza San Martin

Da casa de câmbio passamos nas Galerías Pacífico, só para ver os afrescos. Voltamos para o hotel pelo mesmo caminho e chovia um pouco. Graças ao bom Deus, não fez o calor senegalês do verão 2014. Foi neste momento que a mesma pessoa que fez um barraco ainda no aeroporto começou a reclamar que não queria se molhar. Nós não demos a mínima.

Refrescados, fomos de táxi para o El Burladero, a menos de 2km do hotel. Pedimos o menu do dia, um cardápio executivo com duas opções para entrada, principal e sobremesa. O que provei e que estava delicioso: croquete, lula na tinta, rabo de boi no vinho e a paella. O almoço durou 2 horas. Dessas duas horas, mais de uma hora passamos em silêncio, olhando pro teto, pras paredes, pro prato, talheres, pras outras mesas… não havia mais assunto, dependemos da pessoa, que não comia, apenas bebia. O almoço terminou às 16h, o que impossibilitou a ida a El Ateneo. Então andamos até a Plaza Francia apenas para dar uma volta casual e depois voltar para o hotel descansar e se arrumar para o tango.

Zanzamos, entramos no Cemitério, na Iglesia de N. S. del Pilar, mas por cansaço ou necessidade de ir ao banheiro, todos foram voltando pro hotel mais cedo. Restamos minha mãe e eu, que fizemos exatamente o que gostamos de fazer: andar tranquilamente, tomar um sorvete no Volta, passar no supermercado, ver a moda e entrar nas quitandas da Avenida Quintana. No verão, vale comprar cerejas e morangos!

Meu descanso virou uma sessão do descarrego via WhatsApp com minha irmã. Contei tudo o que estava acontecendo e melando a viagem. E assim eu tomei a decisão mais esperta: simplesmente bloquei a pessoa, pois ela não tinha o direito de estragar uma viagem que outras estavam sonhando há meses e que trabalharam tanto pra que acontecesse. Planejei a viagem para que todos curtissem, escolhendo programas e restaurantes que atendessem os interesses e gostos em comum, mas se nada era bom ou satisfazia a pessoa, pra que se importar?

Tomei um banho, fiquei todo garboso e fomos pro tango. Era a terceira vez que ia num show de tango, a primeira no Piazzolla Tango. Estava bem curioso pra conhecer o teatro, que fica dentro da galeria mais bonita da cidade, a Güemes, na Florida, quase esquina com a Diagonal Norte (Av. Roque Sáenz Peña). O teatro era bem pequeno, então não tinha lugar ruim. Quem estava em casal ou dupla, ficava nos pequenos camarotes. O jantar não foi bom, mas o show foi fantástico! Na medida entre o intimista e o teatral. Gostei mais que do Esquina Carlos Gardel (o show). A única coisa que eu não gostei (e nos dois shows) foi a apresentação solo dos cantores – ô homens chatos! O caminho de volta foi lindo, pois passamos pela Casa Rosada, 9 de Julio e do Teatro Colón. Buenos Aire é linda à noite.

Edifício do Bank of Boston, na Diagonal.

Edifício do Bank of Boston, na Diagonal.

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Abóboda da Galeria Güemes.

Bandoleón do próprio.

Bandoleón do próprio.

No dia seguinte fizemos o city tour e quem foi nos buscar foi o Pedro, um uruguaio legal! Tinha cogitado fazer o city tour no ônibus turístico, mas fiquei com medo do calor e de não encontrar lugar pra todo mundo em algumas paradas. Fizemos a via crúcis e fomos parando nos lugares que a gente tinha interesse. Não sei por quê, mas o povo criou uma química com o Obelisco, coisa que eu nunca dei bola. A primeira parada foi na Plaza de Mayo, onde a Casa Rosada não fez sucesso. Mas a Catedral foi um dos pontos altos pro povo de Vitória, muito católicos. Compraram muitas lembrancinhas do Papa Francisco. Fomos pra Boca e, por vontade de alguém querer ir ao banheiro, acabamos entrando no museu do Boca Juniors.

Sendo eu uma pessoa sem o menor interesse em futebol, que dorme na Copa (juro que me bate um sono invencível) e que até hoje não sabe o que é impedimento, entrei com a esperança de ser convertido e entender essa emoção toda. O museu é bem feito e deve ser um prato cheio pra quem ama futebol, mas eu saí da mesma forma que entrei. O Caminito, que detesto desde sempre, também não foi um sucesso.

Passamos por San Telmo, Puerto Madero, Centro, Recoleta (adoro andar de carro ou ônibus na Córdoba e depois entrar na Callao, os prédios são lindos) e descemos na Flor Metálica (Floralis Genérica). Estava bem quente, já era quase meio-dia. Passamos em frente ao MALBA e fomos direto ao Rosedal, que não estava em seu esplendor – uma pena. Abaixo tem uma foto de quando fui no Carnaval de 2014. O plano do Pedro era ir até o hipódromo, mas como tudo mundo já estava com fome, pedi para eles nos deixar na Fitz Roy com Cabrera, em Palermo Hollywood. Fomos almoçar no peruano Olaya.

Catedral.

Catedral

Diagonal Norte.

Diagonal Norte

Pirâmide de Mayo.

Pirâmide de Mayo.

A cúpula do Congreso.

A cúpula do Congreso.

Caminito

Caminito

Floralis Generica

Floralis Generica

Rosedal - mas foto do carnaval de 2014.

Rosedal – mas foto do carnaval de 2014.

Todos (t-o-d-o-s) concordaram que os ceviches estavam sensacionais de maravilhosos. No início fizeram cara de “ai, peruano?’, mas ninguém resistiu. Foi neste restaurante que o bloqueio ficou bem evidente. Eu tolero muita coisa, mas não suporto grosseria e falta de educação, e quando ouvi meu tio chamando o garçom de forma grosseira, não aguentei e disse, de forma autoritário, ‘não, deixa que eu chamo o garçom e peço a cerveja”. Quem maltrata garçom ou qualquer outra pessoa por se achar superior, morre na hora pra mim.

Para evitar a fadiga, voltamos pro hotel. Quer dizer, voltamos para a rua do hotel e alguns foram pros quartos. Meus tios do Rio e eu fomos tomar sorvete no Arkakao. Foi a segunda vez que fui lá. O sorvete é excelente, um dos melhores da cidade, bem italiano, bem cremoso, mas o atendimento não tinha sido bom quando fui pela primeira vez. Mas desta vez foi uma simpatia só. Felicidade gelada. Voltamos pro hotel e tive mais uma sessão do descarrego. Me arrumei novamente para o melhor jantar da viagem.

Nos encontramos no lobby às 19:30. Conseguimos táxis rapidamente e rumamos pra Puerto Madero, onde foi nosso jantar degustação no Chila. Engraçado que ninguém sabe qual é o dique qual. Então não adianta dizer ‘dique 3″, você tem que falar algo como “perto do McDonald’s”. Chegamos um pouco cedo. Eu, meus pais e meus tios daqui. O sol estava caindo, a brisa estava gostosa e Puerto Madero estava lindo!

2 - puerto madero 4

Puerto Madero antes do anoitecer.

A hostess era linda e andava com desenvoltura num salto à la Lady Gaga. Nossa mesa era de frente para o janelão com vista pro rio. Estávamos muito felizes e até aliviados de estarmos só nós cinco, sem estresse nem chatices. O jantar foi absolutamente perfeito, brindamos o aniversário da minha mãe, que foi na semana anterior a viagem. O lugar era elegante e acolhedor, o serviço foi perfeito, além de muito simpático, e a comida foi surpreendente – os melhores ingredientes que a Argentina pode oferecer. Enfim, dinheiro muito bem gasto. Escolhemos o menu de três passos – que na verdade incluiu um gaspacho de beterraba de cortesia, um pão (o de malbec é de lamber os dedos) e um sorvete de mate para limpar o paladar antes da sobremesa. De entrada, eu escolhi as ostras no caldo de tomate, o resto da mesa escolheu as vieiras – ambos estavam incríveis, mas as vieiras ganharam a disputa. No prato principal, só meu tio escolheu a carne maturada por 45 dias. Nós escolhemos a merluza negra. E de sobremesa, cada um escolheu uma coisa. Meu voto foi para a escolha da minha mãe, morangos com chocolate branco (eu acho).

Camarões e ostras de Ushuiaia.

Camarões e ostras de Ushuiaia.

Ostras em caldo de tomate.

Ostras em caldo de tomate.

O sorvete de mate para limpar o paladar. Sonho com ele sempre.

O sorvete de mate para limpar o paladar. Sonho com ele sempre.

A precisa brigada do Chila.

A precisa brigada do Chila.

Foi nosso (meu e da minha mãe) terceiro jantar degustação em Buenos Aires. Os outros dois foram no Aramburu e i Latina, que também são excelentes em suas propostas e oferecem um jantar de mais passos (o Chila tem outro menu de 7 passos). No Chila, achamos que tudo estava na medida certa, sem tirar nem pôr. Saímos satisfeitos, felizes e muito bem-vindos. Não é um jantar pra toda semana nem mês, mas de vez em quando, por que não? E ainda ganhamos petit fours de brinde!

EL CALAFATE E QUANDO AS PESSOAS SE REVELAM

O telefone tocou às 2:30h. Quase morri. Não sabia quem eu era, onde estava nem se estava vivo. “Alô, Christina?” Do outro lado da linha, o homem da recepção me disse que o traslado já tinha chegado. “Como assim? Já?”. Pois é, o traslado estava realmente marcado para aquele horário, mas tinha pedido para nos buscar uma hora mais tarde, pois o voo para El Calafate era às 5:30h. Houve uma falha de comunicação, cabeças rolaram depois – mentira! Logicamente demoramos pra descer, mas os motoristas nem reclamaram. Um deles era a cara do Leonardo Sbaraglia jovem.

Foi bom termos chegado cedo ao Aeroparque, pois a fila pro check-in da LAN estava gigantesca. Teve até barraco! Como o tempo estava correndo e já estávamos esperando há 40 minutos, o moço permitiu que todos que iriam para El Calafate/Ushuaiam furassem a fila. E assim fomos. O kit Havana oferecido no voo era bem ruim, só a caixinha, estampada com paisagens argentinas, era bonita. O voo foi cheio – muitos argentinos, europeus, coreanos e alguns poucos brasileiros.

Da janela, aos poucos, fomos vendo rios de um azul turquesa leitoso. Já estávamos chegando. O aeroporto de El Calafate fica no meio do nada, perto do Lago Argentino. Lembro que quando fui pela primeira vez, vi uma bola de feno passando por mim e pensei que estava no lugar errado. “Geleiria aqui?” As malas demoraram pra sair, o que permitiu uma ida sem pressa ao banheiro. Ao lavar as mãos, a água gelada fez cair a ficha. O cadeado da minha mala veio arrebentado. Felizmente não roubaram nada – nem havia o que roubar. Para sair, todos precisaram passar as malas no raio-x, o que formou uma longa fila.3 - vista aviao 4

Já tinha reservado o traslado pro hotel pela Ves Patagonia (há táxis também). Esperamos outros passageiros enquanto tentávamos entender onde estávamos. O tempo não estava nada bom, o frio estava delicioso, mas os mosquitinhos queriam o calor da van e ficaram todos colados na janela – desapareceram depois de um tempo. Depois de 20 minutos de estrada, chegamos no portal da cidade. Fomos deixando algumas pessoas em diferentes pontos, até que chegou nossa vez de descer. O ACA (hotel do Automóvel Clube) era exatamente como nas fotos. Como ainda não era horário do check-in, havia apenas um quarto disponível, que foi o dos tios de Vitória. Deixamos nossas malas lá e eu fui pagar o restante do Mini Trekking (tinha feito a reserva com uma agência, como eles não funcionaram naquele dia, a dona foi até o hotel receber o restante do pagamento e entregar os vouchers). Quando voltei pro quarto, veio a notícia mais chocante da viagem.

O motorista e eu. Como a gente fica gordo de costas!

O motorista e eu. Como foto engorda a gente.

O caminho até a cidade.

O caminho até a cidade.

O querido ACA.

O querido ACA.

“Você pode mostrar os passeios pra gente, porque meu marido disseque não quer fazer tudo.” Eu não lembro qual foi a minha reação, não sei se cheguei a dizer “então pra que veio?”, mas todo mundo ficou chocado. Eu tentei entender melhor. “Mas a senhora vai, certo?” “Não, meu marido pediu pra ficar com ele.” Eu fiquei mais chocado ainda. Meu pai deu um “Nossa Senhora” e foi pro lobby pra ficar em silêncio. Me deu muita raiva, pelo egoísmo – era a primeira vez que minha tia saía do país – e também porque eu tinha passado, pessoalmente, todas as informações da viagem com meses de antecedência. Peguei o iPad e mostrei tudo com má vontade. O clima estava tão azedo que ninguém dizia nada com nada e o quarto foi se esvaziando. Eu também saí, bem triste e desapontado.

Nós saímos para acertar outras excursões – o que só foi feito mais tarde naquele dia, pois as agências estavam fechadas e já queríamos almoçar. No fim das contas, eles ficaram três dias no hotel.

Com um climão, almoçamos no Isabel Cocina al Disco, que funciona no hostel Calafate. Cocina al disco é um prato típico do interior da Argentina. É bom, mas nada extraordinário. Há vários sabores, como chorizzo, frutos do mar… tudo é cozido no vinho ou na cerveja dentro de uma caçarola. Dá pra entender melhor vendo as fotos no site. Pedimos três sabores: chorizo, mariscos e vegetariano. O de chorizo foi o que mais gostei. Voltamos ao hotel e nossos quartos já estavam prontos.

Às 14:30h pegamos o 4×4 adaptado para o Balcón del Calafate, passeio que tínhamos acertado antes do almoço. Não é um passeio obrigatório, mas vale a pena para não ficar uma tarde ou manhã sem fazer nada. O passeio acertado era ir até a base do Cerro Huyliche, a poucos quilômetros do Centro, para subi-lo de teleférico, e de lá, fazer o passeio 4×4. Mas como o tempo estava muito ruim, subimos de 4×4 mesmo. O chamariz deste passeio é a vista panorâmica da cidade, do Lago Argentino e até do Cerro Fitz Roy (El Chaltén) e de Torres del Paine – quando o tempo ajuda muito. Como a névoa não ia embora, o vento e a chuva também estavam esperando o bolo de fim de festa, ficamos apenas com paisagens misteriosas, bem diferentes da aridez do nível da cidade. O passeio encerrou num café/refúgio do Calafate Mountain Park, que administra as visitas e os outros atrativos, como circuitos de bicicleta, quadriciclos, e esqui e moto de neve no inverno. Entre um ponto e outro, caímos no sono. Mais porque tínhamos acordado muito cedo que pelo tédio. Vá se o tempo estiver bom, do contrário, procure outro programa.

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Mais tarde, depois de um breve descanso, fomos acertar os outros passeios. Descobrimos que o full day Torres de Paine estava esgotado até meados de janeiro. Fuen fuen fuen! Acertamos então El Chaltén full day com Lago del Desierto e Ríos de Hielo, deixando um dia vago com esperança de alguma desistência pra Torres del Paine. Depois disso jantamos uma pizza bem mais ou menos no La Lechuza. O clima estava um pouquinho melhor.

PERITO MORENO – HOLIDAY ON ICE  

Para sanar de vez todas as dúvidas de quem quer conhecer a geleira Perito Moreno:

O Perito fica dentro do Parque Nacional Los Glaciares. Do Centro de El Calafate até ele são 80km de estrada margeando o Lago Argentino e pradarias. Na entrada do parque, um funcionário entra no ônibus para cobrar a entrada. Cidadãos do Mercosul têm desconto – leve passaporte e dinheiro, não aceitam cartão. Até o Perito tem chão, se quiser ir ao banheiro, há uma parada logo após a entrada. Após isso não há mistério, é só seguir a estrada. A primeira parada é Puerto Bajo las Sombras, de onde saem os catamarãs para o Safári Náutico (passeio em frente ao Perito) e para o trekkings no gelo. Ambos os passeios são operados exclusivamente pela Hielo y Aventura, você pode comprar diretamente com esta agência ou outra de sua preferência.

As famosas passarelas ficam a menos de 10 minutos de Puerto de las Sombras. Começa no alto, onde há uma boa lanchonete e banheiros. São 4km de passarelas (se não me engano) com 7 mirantes. A visão é espetacular e emocionante!

Você pode chegar até lá de transporte público e carro particular. Se for por agência, o transporte está incluído. Se for fazer um trekking sobre o gelo (Mini ou Big Ice), a navegação e as passarelas estão incluídas, mas com uma hora de tempo de permanência. Se reservar o trekking com a Hielo y Aventura, é necessário incluir o traslado também.

Mini Trekking: 10-65 anos, sem problemas cardíacos, motores, de locomoção nem sobrepeso. Proibido para grávidas. Exigência física moderada. Saídas diárias entre agosto e meados de maio. Necessário levar almoço, água, óculos escuros, protetor solar e luvas. 1:40h sobre o gelo + trilha até o Perito.

Big Ice: 18-50 anos. Exigência física alta. 3:30h sobre o gelo. Saídas diárias entre setembro e final de abril.

4 - perito minitrekking 44O ônibus da Hielo y Aventura passou no hotel às 9h. Pegamos mais algumas pessoas e depois paramos no meio do nada, na Av. del Libertador. Veio outro ônibus e metade foi transferida para este. Veio mais um ônibus e foi a nossa vez de trocar de veículo. Não entendi muito bem o troca-troca, mas o que posso dizer é que o serviço prestado pela empresa é muito bem organizado.

O ônibus já estava cheio, muita gente dopada de sono – e nessas horas ninguém se importa em pagar mico. O tempo continuava feio, muitas nuvens, chuvinha chata, janela embaçada. Se você quiser ter a primeira visão do Perito Moreno, sente-se do lado esquerdo. Ao entrarmos no parque, um rapaz subiu para cobrar o valor dos ingressos. Sendo moradores de um país do Mercosul (mesmo tendo Registro Nacional de Estrangeiro), pagamos com desconto. O casal de franceses do lado ficou meio magoado. Paramos pouco mais a frente para uma rápida ida ao banheiro.

Até então não sabíamos como seria a ordem da excursão, se faríamos o Mini Trekking antes e depois ir para as passarelas ou o contrário. Como paramos em Puerto Bajo las Sombras, ficou claro o que faríamos primeiro. Que emoção! Aquela água leitosa, o vento gelado… Exatamente como na primeira vez. E quando embarcamos e seguimos até a parede do Perito Moreno, veio aquele impacto que deixa qualquer um desarmado. Você percebe como você é insignificante diante da grandiosidade daquilo. Lágrimas caíram mas foram secas quase que instantaneamente pelo vento. Aliás, o vento cortante parecia não existir com tamanho deslumbramento.

Perito Moreno visto da estrada.

Perito Moreno visto da estrada.

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Se tem pau é pau de selfie e ponto final.

 

O navegação durou quase meia-hora, mas passou voando. Logo desembarcamos para começar o Mini Trekking. Quer dizer, não começou tão rápido assim. O guia deu o passo a passo do que íamos fazer. Primeiro, fomos até o abrigo para comer o almoço que tínhamos levado. No horário certo, começaríamos o trekking, nesse meio tempo, estávamos livres pra tirar fotos. O abrigo não vende nada, há apenas banheiros e luvas para emprestar. Tudo é bem organizado, mas como num momento dois grupos acabam se encontrado (o grupo que volta do trekking), é preciso ficar atento.

De barriga cheia (mais ou menos, pois a ansiedade era maior que a fome), bexiga vazia e devidamente trajados, seguimos por uma trilha no bosque até uma praia – juro que me deu um calor danado neste trecho. Ali fomos divididos em 3 grupos. O meu grupo era o 1, em espanhol, mas como aquela pessoa difícil desapareceu na hora de sair, acabamos sendo encaixados no grupo 2, em inglês. Mas acabou que todos do grupo eram brasileiros e mexicanos, então foi em espanhol mesmo. O guia foi o Frederico, muito atencioso e simpático. Saímos um pouco depois do grupo 1, que estava num outro abrigo calçando os grampos. Como disse mais acima, tudo é muito bem organizado.

Depois de calçar os grampos (crampons, como chamam), fomos até a divisa entre pedra e gelo. O coraçãozinho ficou todo animado e feliz. Frederico ensinou a andar, a subir, descer e como se comportar. Resumidamente: andar com os pés afastados, passos firmes, descer de lado, seguir a trilha e fila indiana. Paradas para descanso e fotos são feitas o tempo todo.

Vista desde o abrigo.

Vista desde o abrigo.

Começando.

Começando.

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Frederico dá as instruções.

Frederico dá as instruções.

Mamãe estava tão maravilhada que assumiu a pole position do grupo. Eu achei que tinha nascido pra andar no gelo. De fato, foi tão legal que não senti frio, calor, dor (nenhum de nós é um atleta, que fique claro, nem de fim de semana)… Só queria andar, correr, procurar o Jon Snow, cantar Let it Go… Amei! Mas para aqueles que acharem difícil ou sem condições, dá pra voltar pro abrigo.

Um outro guia, que não lembrou o nome, apareceu para auxiliar o Frederico e assegurar que ninguém cairia numa fenda ou sumidouro. Era um outro mundo. E quando eu tirava os olhos escuros, quase morria cego, mas as cores reais eram ainda mais lindas! O engraçado é que, por causa do excesso de luz que rebatia no gelo, não dava pra ver nada no tela da câmera nem do celular. Tirei fotos às cegas.

O Perito Moreno não é a maior geleira do parque nem a mais alta, mas, na minha modesta opinião, é a mais linda. Os ventos gelados que vêm do Pacífico batem no alto da Cordilheira dos Andes. A neve vai se compactado e, com o peso, vai descendo em forma de gelo. Do alto da montanha até a parede frontal do Perito, é um movimento de 400-450 anos. E esse gelo se joga, sem medo nenhum, na água, pra um dia, quem sabe, refazer o ciclo. O mundo é puro maravilhamento! É de uma enorme arrogância quando falamos de Natureza sem nos incluirmos nela, como se fôssemos algo maior.

Até pouco tempo atrás, o Glaciar Upsala era o maior do parque. Com o aquecimento global, o Viedma assumiu a colocação. No lado chileno há glaciares que recuaram 40 metros em 20 anos. O Perito e o Spegazzini são os únicos do continente que não apresentam retrocesso. A conclusão é que o modo como vivemos e vemos o mundo precisa mudar urgentemente.

No fim do trekking, tomamos água e uísque com gelo do Perito. A água é puríssima e deliciosa – dá pra sentir a diferença. Seria ótimo tomar todo dia, mas ela é paupérrima em minerais. Frederico se despediu da gente na divisa entre gelo e pedra. Seguimos por conta própria pro abrigo para retirar os grampos e depois seguimos a longa (realmente pareceu longa) trilha de volta ao abrigo onde almoçamos. Com o Perito ao fundo, toda vez que ouvíamos um barulhão, parávamos para tentar ver alguma queda.4 - perito minitrekking 394 - perito minitrekking 51Demonstração de como uma fendas e sumidouros são perigosos, com até 140 metros de profundidade.4 - perito minitrekking 88Ice party > pool party

Quando fui pela primeira vez, vi muitos desprendimento, mas desta última vez não foram tantos. Primeiro ouve-se um som brutal, como de um trovão ao seu lado, então um pedaço enorme de gelo cai sem pudor na água. A gente comemora que nem ano novo em Copacabana. Assustador e lindo!

Tivemos tempo pra descansar, tirar mais fotos, ir ao banheiro e tudo mais. O catamarã deixou mais um grupo e nos levou de volta para Puerto Bajo las Sombras, onde um ônibus nos esperava para nos levar às passarelas. No ônibus, um outro guia disse que teríamos uma hora – parece muito, mas passa voando – e nos disse quais eram os melhores pontos de observação.

Depois de andar sobre o gelo, parecia até sem graça vê-lo de longe, mas a visão panorâmica de toda a sua imensidão ainda impressionou, além da combinação com as montanhas. Descemos bastante e concluímos que nenhuma foto, por melhor que fosse, capturaria a real beleza e grandiosidade do que estávamos vendo e sentindo. Voltamos para a lanchonete, foi o tempo de ir ao banheiro (muito limpo, por sinal) e tomar alguma coisa. A volta pra El Calafate foi um cochilo só. Estávamos exaustos.4 - perito moreno passarelas 274 - perito moreno passarelas4 - perito moreno passarelas 48Calafate, ainda verde, parente do mirtilo e que dá nome a cidade.

Calafate, ainda verde, parente do mirtilo e que dá nome a cidade.

À noite descobrimos que é verdade a história de que é preciso fazer reserva com antecedência para comer nos melhores restaurantes. Comemos num restaurante perto do hotel, La Cocina. Comida simples e boa.

BOSQUE PETRIFICADO LA LEONA – TROPEÇANDO EM FÓSSEIS

Às 9h, uma van foi nos buscar com o guia Eduardo, essencial neste passeio. Pegamos mais algumas pessoas e assim tivemos a chance de ver a Laguna Nimez pela primeira vez. Ela fica a pouco mais de 1km do Centro. Pegamos o caminho contrário ao que vai para o Parque Nacional de los Glaciares, saindo da cidade, a Ruta Provincial 11. Fomos até o entroncamento com a mítica Ruta 40, que corta praticamente todo o país, e a seguimos pro norte. No caminho, guanacos andavam na beira da estrada. Depois de uma hora, chegamos no hotel La Leona.

O La Leona é famoso porque foi onde Butch Cassidy e Sundance Kid passaram um tempo depois de roubarem um banco em Ríos Gallegos. Após fugirem dos EUA, eles foram a Buenos Aires e compraram uma fazenda em Chubut (norte da Patagônia). A fazenda não foi pra frente e eles voltaram ao mundo do crime. As paredes do La Leona, que é mais um café que hotel, estão decoradas com retratos falados, jornais da época e fotos. Se você vai pro Bosque Petrificado ou pra El Chaltén, este é a única parada pra ir ao banheiro e tomar alguma coisa.5 - la leona 1 5 - la leona 2343

Favor desconsiderar que as fotos estão tortas.

Outras pessoas se juntaram ao grupo no La Leona. A partir dali entramos em propriedade privada. O caminho é mega esburacado, de pipocar! E de repente a paisagem mudou. Como disseram, parecia a Capadócia. Cânions que parecem mil folhas de pedra.

Anos atrás, a família proprietária das terras quis vendê-las para o governo, para que ele fizesse um centro de estudos paleontológicos ou coisa assim. O governo não se mostrou interessado, então eles encontraram no turismo uma forma de lucrar. Claro que tudo de valor já foi encaminhado para museus e instituições de pesquisa. Vale dizer que a Patagônia é uma área de grande interesse para a paleontologia, foi nela que encontraram os fósseis do Argentinossauro, um dos maiores dinossauros já encontrados. Eduardo, o guia, foi um dos responsáveis de viabilizar as visitas turísticas. Embora fosse gordinho, o pique dele era invejável. E ao descobrir que éramos do Rio, disse o que todo argentino diz: “O Rio é lindo, mas prefiro Búzios. Vou a Búzios todos os anos”.

Eu achava que seria um passeio molinho, de andar numa trilha delineada, plana, mas foi russo! O passeio foi um sobe e desce sem fim. E quando eu digo sobe e desce, é praticamente 90º. Ok, 140º. Mas também vimos paisagens de outro planeta, além de fósseis de dinossauros e troncos petrificados. A subida final foi tipo No Limite.

A foto não condiz com a imensidão, desolação e complexidade do lugar.

A foto não condiz com a imensidão, desolação e complexidade do lugar.

Um fêmur de dinossauro comparado a um de guanaco.

Um atrás do outro pra ninguém se estabacar.

Se desce, tem que subir de novo. Pense nisso.

5 - bosque petrificado 42Um dos muitos troncos petrificados.

Um dos muitos troncos petrificados.

5 - bosque petrificado 97

Há vida no deserto.

Sério. As fotos não traduzem o lugar. É como andar num mil folhas arenoso.

Sério. As fotos não traduzem o lugar. É como andar num mil folhas arenoso.

Explicando o lugar: 70 milhões de anos atrás, quando a Cordilheira dos Andes nem existia, a Patagônia toda era uma floresta com rios tão grandes quanto o Amazonas. As intensas chuvas que o oceano mandava aumentavam ainda mais os níveis dos rios, que acabavam arrancando as árvores. Essas árvores foram cobertas por argila e outros sedimentos, e mais tarde foram encapsuladas no tempo por lava. Milhões de anos se passaram, a região virou um imenso campo de gelo. Com o atrito do movimento do gelo, o basalto foi limpo e a água ajudou a revelar resíduos de uma Terra de muitos milhões de anos atrás.

O almoço estava incluído, e estava bem bom! Comemos ali, entre fósseis e formações surrealistas, só nós cinco, dando graças a Deus que os outros não foram – as reclamações seriam insuportáveis. Eduardo continuou a excursão mostrando seus pontos preferidos. Voltamos no fim da tarde. Meio poeirentos e com as pernas doendo.

À noite jantamos cedo num restaurante bem rústico e onde comemos um excelente cordeiro no vinho, o La Zaina. A reserva tinha sido feita na noite anterior. A garçonete principal não era nenhuma simpatia, mas a outra foi só sorrisos. Comemos muito bem! Realmente adoramos. A sobremesa, como em todas as noites, foi em alguma sorveteria da cidade.

Quem opera esta excursão é a Morresi Viajes.

EL CHALTÉN – A MONTANHA QUE FUMA

Quando voltamos do Bosque Petrificado, recebi uma mensagem do senhor da agência onde compramos as excursões – Calafate Extremo. Achei que ele tinha conseguido lugar pra gente ir pra Torres del Paine, mas não era nada disso. Houve um problema de logística com o trasporte para El Chaltén, originalmente programado para o dia 1º de janeiro. Com isso, ele teria que mudar a data com o passeio que seria realizado no dia 31, o Ríos de Hielo. E assim foi feito, e ainda ganhamos uma compensação em dinheiro.

O micro ônibus pra El Chaltén passou bem cedo, o motorista se chamava Eduardo e tinha um Mix CD intrigante! O ônibus foi cheio, incluindo um casal que foi com a gente pro Bosque. Ninguém fez o passeio, só usaram o transporte até a cidade. Estávamos meio desanimados porque o tempo estava muito ruim. Queria tanto ter tido aquela vista do Fitz Roy da estrada… Chegamos em El Chaltén e fomos encaminhados para uma agência local (Zona Austral), que pediu para que aguardássemos um pouco. Muito simpática, a funcionária disse que poderíamos usar o banheiro do café (La Morena) ao lado e também explorar a cidade de apenas 15 ruas. Não dava pra ver muita coisa, chovia e as montanhas estavam encobertas sem modéstia. Aliás, Chaltén significa montanha que fuma. Foi o momento mais frio de toda a viagem! Acabamos entrando numa padaria (La Rika) onde compramos as melhores empanadas da vida (dizem que só as empanadas e medialunas são boas lá, não sei, mas tinham acabado de sair do forno)! Vontade de ir lá só pra comer empanada.

Há montanhas atrás das nuvens. E das mais belas.

Há montanhas atrás das nuvens. E das mais belas.

A agência e o café.

A agência e o café.

A van para o Lago del Desierto foi lotada. Além de nós cinco, havia uma italiana e uma família de argentinos. O motorista era o Pedro. A viagem, bordeando o Río de las Vueltas, deve ser linda num dia de sol, tanto que a gravação-guia fazia várias menções sobre mirantes. Tanto Pedro quanto a moça da agência disseram que o tempo ia melhorar. Acreditei como acredito quando o rótulo do shampoo diz que meu cabelo vai ficar incrível na primeira lavada.

O Lago del Desierto foi motivo de briga territorial com o Chile. Para ter soberania sobre a região, a Argentina fundou El Chaltén (a cidade mais jovem do país, comemora 30 anos este ano) e construiu a estrada até o lago. Fizemos uma parada para ver um monumento que conta a história e homenageia os bravos argentinos que fizeram isso acontecer. Outra parada foi para ver uma pequena cachoeira (sem ser a Chorillo del Salto). 6 - el chalten 336 - el chalten 196 - el chalten 21

Enfim, depois de 250km percorridos, chegamos ao Lago del Desierto. O tempo estava melhorando. Oh happy day! Lá, quem quisesse poderia fazer trilhas, mas nós tínhamos o passeio de barco incluído. A trilha mais famosa é a que leva ao lago e glaciar Huemul. Ao lado do lago (o Desierto) há uma área de camping e banheiro (pago). Comemos no barco vendo as nuvens indo embora aos pouco. Quando a navegação começou, entendemos porque os dois países brigaram tanto por ele. Que lugar incrível!6 - el chalten lago de desierto 776 - el chalten lago de desierto 286 - el chalten lago de desierto 366 - el chalten lago de desierto 526 - el chalten lago de desierto 536 - el chalten lago de desierto 59

Seguindo até o extremo norte do lago, chega-se ao Chile. No caminho de volta, mal deu pra piscar. Realmente a estrada era deslumbrante! O nosso tempo era corrido porque tínhamos que chegar em El Chaltén até às 18h, e como era 31 de dezembro, a agência ia fechar mais cedo. Pedimo e Pedro parou pra gente ver o Fitz Roy. Não sei explicar por quê, mas eu não conseguia parar de olhar pra ele. Os sei lá tantos quilômetros percorridos valeram muito a pena. 6 - El Chalten estrada 36 - El Chalten estrada 16 - el chalten lago de desierto 326 - El Chalten estrada 176 - El Chalten estrada 18

E o Fitz Roy:

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Ainda voltando, minha mãe disse que viu um puma. Quando chegamos a El Chaltén, entendemos por que todo mundo ama a cidade. Não tem nada, mas a energia é super alto astral! Gente que só quer apreciar aquele lugar. Queria ter passado, pelo menos, mais um dia ali.

A agência já estava fechando, o café já tinha. Fomos no banheiro da rodoviária e depois entramos no ônibus, que pegou um monte de gente pra ir pra El Calafate. Com a cidade se distanciando, foi difícil não desgrudar os olhos daquelas montanhas. Desculpe o excesso de fotos de montanhas. Amei El Chaltén! Amamos. As fotos a seguir são das paisagens que não vimos no caminho de ida. 6 - El Chalten estrada 33

O Lago Viedma. De longe, vimos o Glaciar Viedma, o maior em extensão. Mas a foto não ficou boa.

O Lago Viedma. De longe, vimos o Glaciar Viedma, o maior em extensão. Mas a foto não ficou boa.

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E o Fitz Roy foi ficando pra trás. Parece até a Cidade das Esmeraldas.

E o Fitz Roy foi ficando pra trás. Parecia até a Cidade das Esmeraldas.

Chegamos em El Calafate um pouco depois das oito. Como Eduardo já era camarada nosso, nos deixou primeiro. Tomamos banho e fomos pra Ceia de Ano Novo, no hotel mesmo. Tinha música ao vivo e foi bem agradável. “Vocês são do Rio? Vou cantar uma bossa nova: ‘Quero a vida sempre assim, com você perto de mim…'” Só a comida que não estava boa. Mas enfim, o que é um jantar ruim num dia em que se foi a El Chaltén e ao Lago del Desierto? Excelente último dia do ano.

Dei um rolê pela cidade. Não havia movimento, nem dos cachorros. Só frio mesmo.

A música do Eduardo que não saiu da minha cabeça até hoje (jurava que era dos anos 80 por causa do Fantasma da Ópera).

OS RIOS DE GELO – 50 TONS DE AZUL

Saímos cedo até Puerto (ou Punta) Bandera. É o mesmo caminho para o Perito Moreno, mas ao chegar numa bifurcação, vira-se à direita até o lago, bem mais perto. Estava um frio bem bom. A dica é pagar logo a entrada do parque (na bilheteria) e embarcar pra pegar um lugar. A navegação é operada pela Solo Patagonia e o serviço também é bem organizado.

Confesso que foi o passeio mais chato que fizemos (todos juntos desta vez). É lindo ver os icebergs, o glaciares Upsala (bem de longe), Seco, Spegazzini, mas chega uma hora que você fica cansado e dorme, principalmente no final. Mas não deixa de ser impressionante ver aquelas muralhas de gelo.

A ideia original era ir pra Estancia Cristina (opção Discovery), mas como também não havia vagas, o Ríos de Hielo acabou sendo a opção. 7 - rios de hielo 557 - rios de hielo 717 - rios de hielo 91

Glaciar Upsala.

Glaciar Upsala.

Glaciar Seco.

Glaciar Seco.

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A Muralha Spegazzini.

 

Só para comparar o tamanho do catamarã e do Spegazzini, o mais alto dos glaciares, com 135 metros (sobre a água). O Perito tem 60.

Só para comparar o tamanho do catamarã e do Spegazzini, o mais alto dos glaciares, com 135 metros (sobre a água). O Perito tem 60.

Voltamos cedo pro hotel, quase cinco da tarde. Aproveitamos pra zanzar pelo Centro e fazer algumas compras, já que era nosso penúltimo dia na cidade. Como era 1º de janeiro, as lojas só abriram depois das 18h, algumas não abriram.

Com o último dia ainda em aberto e sem esperança de ir a Torres del Paine, voltamos à agência pra ver o que poderíamos fazer. Ficar no hotel não era opção! O Alvaro, dono da agência, nos sugeriu a Estancia Nibepo Aike. Achamos que seria legal, mas sem grandes expectativas.

À noite jantamos no concorridíssimo La Tablita, tido como o melhor cordeiro das redondezas. Não achamos não. O restaurante era muito bonito, o atendimento foi ótimo e fiquei conhecido como Alexis, mas realmente não achamos essa Coca toda.

NIBEPO AIKE – E NA FAZENDA TINHA OVELHAS, CAVALOS, CACHORROS E GATO

Às 9h, uma van foi nos buscar. Pegamos ainda um casal da África do Sul com filho pequeno e um casal argentino. Pegamos a antiga estrada em direção ao Parque. E, sério, apesar de ser de brita, a vista era mil vezes mais bonita que a outra. Vimos muitas lebres e gaviões a perder de vista.

A fazenda parecia tela de descanso do Windows. Fomos recepcionados por uma funcionária da fazenda, que nos levou para uma casa onde havia uma mesa de doces e café. Mas antes, fomos acolhidos por filhotes de cachorros e um gato que parecia um puma. Só por eles eu poderia ter passado o dia inteiro lá. Só faltava um unicórnio!

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Papoula.

8 - estancia nibepo aike 1118 - estancia nibepo aike 101The hills are alive, m inha gente!

The hills are alive, minha gente!

Mas que lugar incrível de lindo! Ela nos contou a história da fazenda e depois fomos até o curral, onde peões fizeram demonstração de ordenha e pastoreio de ovelhas. Quem quis, pôde cavalgar um pouco (não incluído). Meus pais, eu e um homem fomos. Foi muito tranquilo e gostoso, além de poder falar que galopamos pela Patagônia. Quem não fez a cavalgada caminhou até a beira do Lago Roca. Meus tios preferiram voltar pra sede e descansar.

Ao voltarmos, fomos pra casa de tosa ver uma demonstração. Tivemos uma aula! Quando sentada, a ovelha não consegue se levantar. Não é qualquer um que tem a habilidade de tosar, muitas vezes este profissional vai se fazenda em fazenda pra isso. Como era uma demonstração, ele fez com a tesoura. Anualmente faz-se duas tosas. Uma, apenas nos olhos e na genitália, para que não ocorra infecções. A outra é antes do verão, essa é a de corpo todo.

Atualmente, a lã é exportada pra Ásia, onde o que mais querem é a lanolina, uma gordura/cera natural presente na lã bruta, bastante usada na indústria cosmética. Na época em que a fazenda era uma grande produtora de lã, ela era levada de charrete uma vez por ano até Río Gallegos (350 km), de onde seguia pra Europa. Cada trecho da viagem levava 45 dias. A fazenda se chamava La Jerónima, fundada por um imigrante croata. Após sua morte, ela mudou o nome para Nibepo, as iniciais dos apelidos das filhas: Níni, Bebe e Porota. Até hoje a fazenda é administrada pela família.

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Dá pra ver o Perito Moreno lá atrás.

Depois da demonstração de esquila, fomos almoçar na casa principal. O almoço era super simples, bem fazenda, e estava realmente delicioso! Fomos embora depois disso. Realmente adorei este dia! Não esperava tanto. 8 - estancia nibepo aike 1098 - estancia nibepo aike 1398 - estancia nibepo aike 1458 - estancia nibepo aike 558 - estancia nibepo aike 112

Como voltamos cedo pra cidade, aproveitamos para ir até o Glaciarium, um museu que fica meio afastado e conta a formação das geleiras, detalhes, a importância delas e tudo mais. O museu conta com traslado gratuito, que sai da Secretaria de Turismo (ao lado do nosso hotel). No fim de tarde, a procura aumenta, então é preciso chegar com antecedência e fazer fila. No subsolo do Glaciarium fica o Bar de Gelo ou Glaciobar. Não fomos. Em El Calafate, como lanche da tarde, procuramos uma empanada. Entramos no Green Market Patagonia (fica quase em frente ao cassino, eu acho), que se mostrou um ótimo lugar pra comprar vianda (o lanche/almoço pra levar nas excursões). Se tivéssemos conhecido antes…

Depois que voltamos, fizemos as últimas compras, tomamos os últimos sorvetes e arrumamos as malas. O jantar foi no Don Pichón, um restaurante que não fica longe, mas como fica num morro, tem serviço de traslado. Também não esperava muita coisa do Don Pichón, mas a comida estava muito boa e a vista para a cidade e o lago era linda! Ah, o serviço demorou mais que nos outros restaurantes, mas não comprometeu. Gostei mesmo. Só não deu pra ir no Mi Rancho. Este, Don Pichón e La Tablita são os restaurantes mais badalados, é necessário fazer reserva com um dia de antecedência. 581

Lembrando que em El Calafate, só escurece depois das 22h.

Lembrando que em El Calafate, só escurece depois das 22h.

O ÚLTIMO DIA

A van da Ves Patagonia foi nos buscar às 8:30h. Saímos com um aperto no coração. Quando estava na estância, comi um calafate pra garantir que voltaria. Espero voltar novamente. No aeroporto deu tudo certo, mas chegando em Buenos Aires, nosso transfer não estava lá e nem consegui ligar pra saber o que estava acontecendo. Acabamos pegando um remis e fomos pro hotel. O chato é que perdemos uma hora.

O que tinha acontecido estava evidente. Naquele dia, 03 de janeiro, era a largada do Paris – Dakar e as ruas estavam interditadas. Quem estava indo nos buscar era o Pedro, que ficou preso no engarrafamento. Fizemos o check-in no hotel e saímos pra comer alguma coisa e fazer compras de última hora. Fomos ao supermercado Disco, comemos uma empanada no café ao lado e depois cada um foi pra onde lhe interessou mais. Meus tios de Vitória foram pro shopping comprar uma mala, os do Rio foram pra feirinha da Plaza Francia e eu e meus pais fomos na Morph, dentro do Buenos Aires Design.

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Mural do Olaya.

À noite, minha tia de Vitória disse, com uma vontade nunca antes vista, que queria voltar ao Olaya. Então nós fomos, e foi um jantar perfeito para fechar a viagem!

Esqueci de comprar alfajor, doce de leite, um monte de coisa. Acho que preciso voltar!

Olha que sol lindo pra dizer tchau! Você vai voltar pro inferno do Rio! Muahahahaha!

– Eu, sol, vim dizer tchau! Você vai voltar pro inferno do Rio! Muahahahaha!

Serviços usados na viagem.

Em Buenos Aires

Agência: LEOTour (traslados, city tour e tango). Hotéis Ayres de Libertad e Esplendor Plaza Francia.

Em El Calafate

Agências: Gigantes Patagones (Mini Trekking), Calafate Extremo e Mil Doors. OBS: Vale mais a pena mandar e-mail, pois os sites ficam desatualizados. Hotel: ACA El Calafate.

Sobre Torres del Paine. Duas agência operam o full day a partir de El Calafate. Prefira a South Road.

básico – el calafate

4 - perito moreno passarelas 16A maioria das pessoas que vai a El Calafate faz dobradinha com Ushuaia, a cidade mais austral do mundo. Foi o que fiz sete anos atrás, e por experiência própria, vale mais a pena ir primeiro para Ushuaia e depois para El Calafate. Simplesmente por dois motivos: 1) As paisagens de El Calafate são mais impactantes. Se você for primeiro para lá, Ushuaia acaba ficando meio sem graça (não que lá seja feio). 2) Ushuaia é mais longe, então é mais conveniente ir primeiro para lá e depois voltar. Os voos para Ushuaia geralmente fazem escala em Trelew ou El Calafate.

Alguns guias dizem que não há muito o que ver em El Calafate e mandam você ficar dois dias na cidade e quatro ou cinco em Ushuaia. Eu não concordo, pois a partir de El Calafate dá para ir para Torres del Paine (no Chile) e El Chaltén. É claro que você pode passar dias nessas outras cidades, mas se seu negócio é apenas visitar e apreciar a paisagem sem ter que fazer trilhas, uma excursão de dia inteiro vale mais a pena. E cá entre nós, quatro dias em Ushuaia é bem entediante cansativo.

Como planejar? Se vai em dezembro-janeiro, principalmente no Ano Novo, é necessário planejar com bastante antecedência. De verdade! Em abril/maio, os hotéis começam a divulgar as tarifas da temporada seguinte. Em junho já fica difícil encontrar certos hotéis, inclusive albergues. A partir de outubro, comece a ver as excursões e reserve as mais concorridas – Mini Trekking, Estância Cristina e Torres del Paine Full Day. Sério, não dá para reservar estes passeios quando chegar na cidade. O que eu vi de gente frustrada por não conseguir fazer o Mini Trekking… E eu não consegui ir pra Torres del Paine. A maioria das agências pede 50% de entrada (pagamento por cartão, Paypal ou PagSeguro), a outra metade é paga lá ou cobrada uma semana antes – depende da agência. A alta temporada vai até a Semana Santa, depois disso fica tranquilo.

Como ir? Do Brasil, TAM-LAN e Aerolíneas Argentinas. Mas tome alguns cuidados.

Pela TAM: Os trechos Brasil – Buenos Aires e Buenos Aires – Brasil são operados pela Tam, enquanto Buenos Aires – El Calafate e volta, pela LAN. É possível comprar os trechos juntos, mas não é possível parcelar. Para parcelamento, é necessário comprar os trechos separadamente, o que encarece o preço final.

Pelas Aerolíneas: É quase certeza de que o voo que vai chegar em Buenos Aires será no Ezeiza, sendo que o embarque para El Calafate é pelo Aeroparque. O site vende voos sem margem de tempo para conexão, então fique atento! E não importa se te falarem que vai dar tempo, pois não vai. Você terá que pegar sua mala e ir para o Aeroparque. Novamente: fique atento ao tempo de conexão. Do Ezeiza pro Aeroparque são 40 minutos (sem trânsito), fora o tempo para imigração e pegar as malas.

Seja pela TAM ou Aerolíneas, vale passar um dia em Buenos Aires. Tanto para descanso, quanto para fazer câmbio.

Dica: Pesquise as passagens com o navegador no modo anônimo. Os sites gravam o IP e podem aumentar o preço cada vez que você pesquisa.

Quando ir? O verão é a alta temporada, mas dá para ir o ano inteiro. Só entre maio e setembro que algumas atividades não funcionam ou ficam restritas, como os trekkings no gelo. O verão é frio, com temperaturas que vão dos 5 aos 20 graus. Sim, em um dia você pode experimentar as quatro estações do ano. Dezembro e janeiro são meses que ventam muito, mais que o normal. Já o inverno não é tão dramático como a gente imagina. Mínima de -5 e máxima de 10 graus. A melhor previsão meteorológica é a do Servicio Meteorológico Nacional (clique em Río Gallegos para abrir a província), pena que não fazem a previsão para mais de 5 dias.

Que moeda levar? Tem muito brasileiro em El Calafate, mas nós não somos a maioria dos turistas. O real não é tão bem aceito como em Buenos Aires, nem o câmbio paralelo é muito popular. Dólar e euro são aceitos em quase todos os lugares, o peso também, claro. A cotação do dólar varia bastante, mas abaixo do paralelo de BsAs. O melhor a fazer é trocar por pesos em Buenos Aires antes de ir. Há casas de câmbio e caixas eletrônicos também.

Onde se hospedar? Nisso eu vou ser categórico: próximo ao trecho onde tudo se concentra na Av. del Libertador (ver mapa). Há hotéis 4 e 5 estrelas que ficam afastados do Centro e até oferecem traslado para o Centro. Tenho certeza de que são muito confortáveis. Mas depois de um dia inteiro andando, você vai pensar duas vezes se vai querer depender de táxi ou da van de traslado para ir ao Centro. Eu fiquei no hotel ao lado do ponto de encontro dos traslados, e a cara do povo esperando a van no frio não era muito feliz.

Fiquei no hotel do Automóvel Clube, o A.C.A. El Calafate. Fiquei muito feliz quando consegui reservar neste hotel, pois ele é relativamente novo, confortável, muitíssimo bem localizado e as tarifas eram bem atraentes. Mas reserve com antecedência, pois lota rapidinho.

Se vai com a família, há cabanas para até cinco pessoas, quase fiquei no Santa Mónica Aparts (excelente localização). Aliás, quase fiquei no Sierra Nevada (tem que andar um pouquinho), Michelangelo (mais simples) e Terrazas del Calafate (não vi, mas é longe do Centro).

O que ver em El Calafate? A cidade vive exclusivamente do turismo. Tudo é bonitinho e agradável, realmente um lugar delicioso para passar o fim de tarde, mas tirando a Laguna Nimez e o calçadão (Costanera), não há muito o que ver. Todas as atrações ficam distantes do Centro. O Perito Moreno é a estrela, é a geleira mais famosa e acessível do Parque Nacional de los Glaciares. Para vê-lo, há passarelas (como as de Foz do Iguaçú), navegação e os trekkings sobre ele. Há ainda a navegação para ver os outros glaciares, o Bosque Petrificado e passeios de meio dia, como diversas estâncias e o Balcón de Calafate. De El Calafate é possível fazer passeios de dia inteiro (literalmente) para Torres del Paine e para El Chaltén.

Como sair do aeroporto? O aeroporto fica no meio do nada, bem longe, então você vai depender de táxi ou traslado. Há algumas lojas que oferecem estes serviços logo depois do portão de desembarque. Usei a Ves Patagonia, uma van que vai deixando os turistas nos seus hotéis. É barato (custou 170 pesos – ida e volta – jan.2015), prático e você vai conhecendo a cidade no caminho.

Com que roupa eu vou? O street fashion de El Calafate é bem casual e confortável. À noite, o povo se veste melhorzinho, mas nada chique, afinal, é uma cidade de aventureiros. Esqueça qualquer coisa de couro, salto, sandália, vestido, casacões pesados… só vai ocupar espaço na mala. Mas há três itens que eu acho fundamentais: tênis/bota para montanha, blusa fleece/polar e casaco impermeável corta-vento. A arte de se vestir como uma cebola.

Esse tipo de tênis/bota não vai deixar você com os pés gelados poque não vai entrar vento nem a umidade do solo. Use com meias grossas. bota

A blusa de fleece esquenta e permite que o suor evapore. Use com uma camiseta por baixo, ou, se achar necessário, uma segunda pele. fleece

O casaco é muito importante. Ele não esquenta muito, mas impede a entrada do vento e da umidade. casaco

A calça pode ser jeans, mas é bom usar uma segunda pele (aka ceroula – eu usei a da Uniqlo e não passei frio nem calor).

Obviamente, você não precisa comprar exatamente estes modelos.

Acessórios importantíssimos: mochila (para ficar com as mãos livres e também porque você vai ter que carregar o almoço nas excursões), gorro (para proteger os ouvidos e também pra disfarçar o cabelo bagunçado pelo vento), óculos escuros e luvas (principalmente para fazer o minitrekking), filtro solar (o sol é forte), sacolinha de lixo (porque você vai para lugares onde não há lixeiras) e sacola retornável (porque os supermercados não têm sacolas). Ah, e protetor labial.

Há lojas que alugam e vendem casacos em El Calafate. Os preços são similares aos daqui, inclusive os de luvas e gorros – vendidos em quase todas as lojas turísticas. Mas se você quer comprar bons produtos com preços baixos, vá na Decathlon que vale muito a pena. Ou compre pelo site, as medidas dão certinho.

o que fazer em buenos aires

floralis genericaA ideia original era fazer posts sobre o carnaval 2014 em Buenos Aires, mas… a Globeleza 2015 já sambou e tudo mais, então não faria muito sentido. Além do mais, já estive na cidade depois desta data, então decidi fazer dois posts temáticos: o que fazer e onde comer. Comecemos com o que fazer. Clicando aqui, você fica sabendo como é o carnaval na cidade, o que abre e o que fecha.

Se você me perguntar o que eu mais gosto de fazer em Buenos Aires, eu vou responder sem ter que pensar muito: caminhar. Na verdade, caminhar pelas ruas da Recoleta e Palermo, meio que perdido, mas sabendo que uma hora vou chegar na rua do hotel ou do restaurante. Se perder é a melhor coisa! Aí paro para ver vitrine, entrar numa loja, no supermercado, ver a banca de jornal, de flores, tomo um sorvete ou café e vejo a cidade se movimentando. É disso que realmente gosto: andar e ver. É verdade que nada me impede de fazer isso em outra cidade, mas esses bairros de BsAs são especialmente agradáveis com suas praças e jardins. A arquitetura é linda e interessante, há curiosidades expostas e sempre tem um grafite ou protesto para encontrar. No fim da tarde, o céu vai ficando rosado, combinando com o amarelo das luzes que vão se acendendo aos poucos.

Como já fui à cidade 4 vezes, os pontos turísticos já não me atraem tanto. Mas se é a sua primeira vez, acho que vale a pena, mas não encare tudo como uma obrigação. Vá, aproveite, volte se gostou muito, saiba apenas que BsAs é bem mais legal fora destes pontos. Sim, é uma cidade em crise (embora não se note aparentemente – os jardins, praças e monumentos estão bem conservados), mas é nos momentos de crise que a criatividade aflora. E em Buenos Aires há sempre algo novo para conhecer.

???????????????????????????????Plaza de Mayo. É um ponto turístico obrigatório, pois ao redor desta praça ficam a Catedral Metropolitana, onde o Papa Francisco celebrava as missas nos tempos de arcebispo. Tem ainda o Cabildo, a sede Banco de La Nación e a Casa Rosada. Quando a Argentina era colônia espanhola, a administração funcionava no Cabildo, foi também nele que a independência do país foi declarada. É possível visitar o prédio por dentro. Do outro lado da praça, a Casa Rosada oferece visitas guiadas nos feriados e fins de semana. Uma curiosidade: a Casa Rosada, na verdade, é a junção de dois palacetes (já reparou que ela não é simétrica?). Atrás dela, pela Hipólito Yrigoyen, fica o Museo del Bicentenario, que conta a história do país desde a independência. Ali perto fica o Museo Etnográfico, que eu sempre quis conhecer mas nunca peguei aberto.

Feira de San Telmo. A feira percorre toda a Calle Defensa, que começa na Plaza de Mayo. Esta parte da feira não tem muita coisa interessante, a parte mais legal é realmente na Plaza Dorrego, no coração de San Telmo. É lá que fica a famosa estátua da Mafalda no banco. Recentemente ela ganhou a companhia de seus amigos. Como não gosto de muvuca, a feira não me disse muita coisa, mas para quem gosta de antiguidades, pode valer a pena. A feira acontece somente aos domingos. Na esquina da Defensa com Carlos Calvo fica o Mercado de San Telmo, que tem uma arquitetura bem bonita. Lá dentro há lojas de antiguidades, bancas de frutas e cafés. Tome cuidado nas ruas paralelas a Defensa, há vários casos de furtos.

??????????Boca e Caminito. O bairro da Boca não é muito amistoso aos turistas. Quer dizer, entre a Bombonera (estádio do Boca Juniors) e o Caminito (as casas coloridinhas), é extremamente turístico, mas o resto… O Caminito é um caso de ame-o ou deixe-o. Eu não gosto, nem um pouco. Acho tudo muito artificial e forçado – muitos sósias do Maradona, do Messi, gente vestida de dançarino de tango -, mas tem gente que consegue passar horas por lá. Os preços também não são camaradas. Colado no Caminito fica a Fundación Proa, que vale muito uma visita se tiver uma exposição legal em cartaz (fique alerta). Já a mítica Bombonera é legal para quem ama futebol. Há dois tipos de visita: express e visita guiada. OBS: Visite apenas o Caminito e a Bombonera, não fique zanzando pelo bairro porque não é muito seguro para turistas. Faça a visita, preferencialmente, na parte da manhã e vá embora, no mais tardar, até às 16h.

Um clássico é combinar a visita ao Caminito com a Feira de San Telmo.

??????????Puerto Madero. Por causa da baixa profundidade do Rio da Prata, o engenheiro Eduardo Madero projetou um cais onde grandes navios podiam atracar. Mas a função como porto acabou não durando muito tempo, já que os navios ficaram ainda maiores e a cidade construiu um novo (que funciona até hoje). Nos anos 1990 começaram as conversas para revitalizar os armazéns, e no início dos anos 2000, Puerto Madero começou a ficar parecido com o que é hoje, com restaurantes, hotéis, escritórios e edifícios de luxo – é o metro quadrado mais caro da cidade. Deu tão certo que o modelo de revitalização serviu de inspiração para a Estação das Docas, em Belém. Há quatro diques, os dois mais ao norte (3 e 4) são os mais badalados. No 3 está a Puente de la Mujer e o Museo Fragata Sarmiento. No 4 tem o museu Coleción de Arte Amalia Lacroze de Fortabat. Atrás de Puerto Madero fica a Costanera Sur, que faz limite com a Reserva Ecológica. Lá dá para andar de bicicleta, patins, fazer caminhadas… Mas não vá tarde porque a região vira um deserto à noite!

CENTRO

Rua/Calle Florida e Galerías Pacífico. Até o início dos anos 1990, o Centro era o lugar mais badalado de Buenos Aires. Bares, clubes, cinemas e teatros fervilhavam até o sol nascer. A Florida e as Galerías Pacífico eram os lugares para compras, mas aí veio a decadência. A badalação se mudou para atrás do Cemitério da Recoleta (nos anos 1990, depois se mudou para Palermo Soho, agora está em Hollywood e parece que já está com um pé na Villa Crespo), e a Florida virou essencialmente vitrines para turista ver. Mal se vê as bancas de flores no meio da passagem. À noite, a região morre. Já a Galerías Pacífico, que nasceu como um projeto de Galeries Lafayette, ainda atrai pela sua arquitetura e seus afrescos. Os preços são sensivelmente mais altos que em outros shoppings e regiões, mas dentro tem o Centro Cultural Borges, que oferece exposições e shows de tango mais em conta. Shows com s porque são três espetáculos diferentes durante a semana.

O câmbio paralelo é mais que uma realidade em Buenos Aires e as melhores cotações são de casas na Florida. Não troque com qualquer pessoa nem em qualquer lugar. Procure uma indicação. É mole!

Não muito conhecida, a Galería Guemes, quase na esquina com a Diagonal Norte (Roque Peña), consegue ser mais bonita que a Pacífico (na minha opinião), e ela é cheia de histórias curiosas. Antoine de Saint-Exupéry, autor do Pequeno Príncipe, viveu no prédio por um tempo. No alto há um mirante que foi recém-restaurado, e no subsolo fica o Piazzolla Tango.

1 - torre dos ingleses 1A Calle Florida começa na Av. Rivadavia, praticamente na Plaza de Mayo, e segue por 2km até a Plaza San Martin, no Retiro. Eu adoro esta praça e é realmente um oásis ao sair do burburinho da Florida. Nos arredores da praça ficam o Edifício Kavanagh (se você viu Medianeras, é o prédio em que a Mariana era guia), que esconde a Basílica de Santíssimo Sacramento (na rua San Martin), e o Palácio Anchorena (ou San Martin, como é conhecido oficialmente) – estas três construções são parte de uma lenda (procure no Google, pois é bem interessante). Há ainda o Círculo Militar e seu magnífico portão. A vista de frente da praça é para a Torre dos Ingleses (aka Torre Momumental, rebatizada depois da Guerra das Malvinas), um presente dos residentes britânicos para as comemorações do centenário da independência. A torre fica de frente ao Monumento aos Caídos nas Malvinas, ainda na Plaza San Martin.

O bairro do Retiro tem prédios lindos! Ele é bem residencial e fica vazio nos fins de semana e feriados. À noite, tenha cuidado na Plaza San Martin. Já me hospedei perto e depois das 20h aparecia um povinho esquisito.

9 de Julio e Obelisco. A avenida 9 de Julio é conhecida como a avenida mais larga do mundo. Seu ponto mais famoso é o Obelisco, construído nos anos 1930 para as comemorações dos 400 anos da cidade. O Obelisco fica na altura da Av. Corrientes e da Diagonal Norte (Roque Peña), e é só um obelisco, não é permitido entrar nele. É possível vê-lo de diversos pontos, como ruas e avenidas paralelas, e, com certeza, uma hora você vai passar por ele.

1271Teatro Colón. Reconhecido como um dos cinco melhores teatros do mundo (em acústica), o Colón ficou anos e anos fechado para reformas. O resultado pode ser visto por fora – ainda mais à noite, e por dentro, com a visita guiada. É definitivamente um dos prédios mais bonitos da cidade. Antigamente, a visita ia até o subterrâneo, onde são confeccionados e guardados os figurinos e cenários, mas hoje, a visita passa apenas pelos salões, camarotes e a plateia. Mas ainda sim é lindo e uma aula sobre a sociedade e cultura portenha. A entrada é pela rua Viamonte. Se puder, e gostar, vá num concerto, balé, qualquer coisa. Mas vá bem vestido. Deve ser incrível.

1078Congreso, Café Tortoni e Avenida de Mayo. A Avenida de Mayo vai da Plaza de Mayo até o Congreso, ou seja, liga os dois poderes, por isso é sempre cenário para protestos e manifestações. Para quem gosta de arquitetura, é um deslumbre, mesmo que alguns prédios estejam mal cuidados. Já perto do Congreso, vale dar atenção para o Palácio Barolo, um lindo prédio baseado na Divina Comédia. É possível fazer uma visita guiada e conhecer cada detalhe do prédio. Já o Congreso é muito imponente e lembra o dos Estados Unidos. A praça em frente foi toda cercada e conta com uma fonte e esculturas – inclusive de Rodin. Não é uma área muito segura à noite. Do outro lado da 9 de Julio, pro lado da Plaza de Mayo, fica o histórico Café Tortoni, onde intelectuais e personalidades tomavam um cafezinho. É como a Colombo argentina. Nunca entrei lá, tem gente que acha incrível e gente que não acha nada demais, mas sempre tem fila na porta. Há show de tango por preço mais módico, mas é preciso ir ao local para comprar (antecipadamente, é claro).

1187El Ateneo Grand Splendid. É considerada uma das livrarias mais lindas do mundo. Dá uma sensação muito boa ficar lá dentro!  O prédio que um dia já foi teatro, hoje, teve a plateia, corredores, camarotes, balcões e o porão convertidos em corredores de livros, CDs e DVDs. O palco foi transformado em café. Vale muito a visita!

Palácio de Aguas Corrientes. Durante um surto de febre amarela, Buenos Aires decidiu proteger seus reservatórios d’água. Para isso construiu o prédio mais bonito da cidade. Não tem como não reparar na construção, que fica na esquina da av. Córdoba com Riobamba. Atualmente o prédio abriga os escritórios da companhia de abastecimento e também o museu sanitário com uma coleção de vasos.

RECOLETA

1060Plaza Francia, Cemitério, N.S. de Pilar. A Plaza Francia não fica exatamente onde todo mundo acha que ela fica, mas como aquela região tem várias praças juntas, ficou mais fácil chamar tudo de Plaza Francia, o filé mignon turístico da Recoleta. O bairro é o mais nobre da cidade, com seus prédios francófilos e seu comércio outrora de luxo. O Cemitério da Recoleta é o principal ponto turístico. Pode parecer meio mórbido, mas as esculturas são muito bonitas e o lugar dá uma certa paz. Quem vai quer ver onde Evita está sepultada, muito podem até se espantar, pois o jazigo de sua família (Duarte) é bem simples. Mais interessantes são as histórias que o cemitério guarda, como a de Rufina.

Quase ao lado do cemitério fica a Iglesia de N. S. de Pilar, uma igreja de fachada simples e toda branca, dizem que é a mais procurada para casamentos. O interior é muito bonito também. Coladinha na igreja fica o Centro Cultural Recoleta, um prédio que abriga exposições, o museu interativo de ciências Prohibido No Tocar e onde o Fuerza Bruta se apresentava (em abril eles desembarcam em SP).

Ao lado do centro cultural há entrada para o terraço do shopping Buenos Aires Design. Nele há restaurantes, cafés e o Hard Rock Cafe. Numa porta ao lado (tudo ao lado aqui!), há uma entrada direta para a loja Morph, a loja-âncora do shopping, exclusivamente de decoração. Uma outra saída dá direto para a Av. Puyrredón (que é a principal, na verdade).

Aos sábados e domingos (e feriados, acredito) há uma feirinha na praça.

Museu de Belas Artes. O Museo de Bellas Artes tem o acervo de arte mais importante do país (e da América Latina). Como os argentinos sempre tiveram grande interesse pelas artes e sua elite foi bem generosa com doações, então espere ver Goya, Picasso, Monet, Renoir, Van Gogh, Manet e ótimos pintores argentinos. O prédio vermelho também é lindo. Antes de abrigar o museu (primeiro funcionou no prédio das Galerías Pacífico), ali era a estação de bombas, que filtrava a água do Rio da Prata. A entrada é gratuita.

Faculdade de Direito e Floralis Generica. Saindo do Museu de Belas Artes, só atravessando a Figuero Alcorta, ficam a Faculdade de Direito e suas colunas e a Floralis Generica/Flor Metálica. Não há muito o que ver nestes lugares, só tirar foto. A Flor virou um símbolo de Buenos Aires. Quando ela foi doada pelo arquiteto Eduardo Catalano e costumava fechar ao entardecer para abir de manhã. Infelizmente um circuito elétrico quebrou e a flor permanece aberta.

Biblioteca Nacional. A biblioteca fica meio escondida e fica no terreno onde Evita morou nos tempos de primeira dama. A arquitetura brutalista faz parecer que um disco voador vintage pousou na fronteira entre Recoleta e Palermo Chico. Desde que se mudou para esse endereço, três dos diretores ficaram cegos, entre eles, Jorge Luis Borges.

PALERMO

Antes de mais nada, é preciso dizer que Palermo é um bairro gigante! Divide-se em: Botânico (ou Bosques de Palermo), Chico (uma região pouco explorada e que eu gosto), Soho (antigo Viejo) e Hollywood (separado do Soho pela linha do trem).

Malba. O Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires é o museu que mais gosto na cidade. Eduardo F. Constantini coleciona arte há muito tempo. Sua coleção ficou tão grande que ele construiu um prédio para abrigá-la, foi assim que nasceu o Malba. O prédio em si já vale uma visita, mas o acervo conta com Frida Kahlo, Diego Rivera e até Tarsila do Amaral com seu Abaporu. A entrada é paga. A lojinha é uma delícia e dizem que o restaurante também é. Ao contrário dos outros museus, este funciona na segunda e fecha às terças. E só abre ao meio-dia.

Museo de Arte Decorativa. A verdade é que as pessoas vão mais para ver a casa que pelas peças em exposição. Sempre quis ir, mas os dias nunca bateram. Pelas fotos, a arquitetura é realmente linda!

Parque 3 de Febrero. Este é um parque enorme! É por causa dele que esta parte se chama Palermo Botânico ou Bosques de Palermo. Tem o Jardim Japonês, o Jardim Botânico, o Jardim Zoológico, o Planetário, Rosedal e um monte de espaço que os portenhos usam para fazer piquenique, andar de patins, skate, bicicleta ou simplesmente sentar de baixo de uma árvore para ler um livro.

Jardín Japonés. O Jardim Japonês foi um presente da comunidade nipônica para a cidade na época em que o imperador japonês visitou Buenos Aires. Eu nunca peguei este jardim na época mais bonita. Nas duas vezes que fui, estava abarrotado de gente. Acho que na primavera e no outono deve ser lindo. Lá dentro tem um restaurante, que dizem ser bem mais ou menos.

Rosedal. Ai, o Rosedal! O Rosedal, como diz o nome, é um jardim de rosas. Elas ficam floridas quase que o ano todo, menos no inverno. O apogeu é em outubro (quando os jacarandás da cidade também florescem). É para ir, sentar e passar um bom tempo admirando as flores.

Planetário. Eu nunca fui até ele, mas sempre passei por ele. De dia e de noite. Tem uma apresentação no fim da tarde que dizem ser legal. Ele fica bonito mesmo à noite, quando tudo se ilumina e ele fica parecendo um disco voador vintage.

Jardín Botanico. Nunca pus os pés nele. Todo mundo diz que ele anda meio abandonado.

Jardín Zoológico. Este zoo é bem bonitinho e agradável. Em algumas épocas tem visitação noturna.

Museo Evita. Eu nunca fui. Mas o curioso é que ouço falar mais do restaurante do museu que do acervo em si. Antes de virar museu, o casarão foi sede da Fundación Evita. E nos tempos em que ela foi primeira-dama, era o Lar Para Crianças Pobres. Eva Perón tem status de santa na Argentina, algo que a gente não consegue imaginar de político algum aqui no Brasil. Pergunte para um idoso pobre o que ela significou! O museu conta a trajetória de Evita através de roupas, objetos, documentos, fotos e filmes.

Bairro Chinês. Esta pequena área (duas ruas) no meio de Belgrano e que chamam de bairro só tem mercados orientais e lojas de bugigangas e tranqueiras. Como BsAs passa por uma onda natureba, muita gente vai lá comprar cerais, grãos e especiarias. E como a cidade não tem loja de 1.99, o povo acha lá bem legal. O Barrio Chino tem umas coisas exóticas, o cheiro pode não ser muito agradável em alguns pontos, mas pode ser divertido se você for sem compromisso nem grandes expectativas.

FORA DE BUENOS AIRES

Zoo de Luján. Veja este post. Este zoológico fica nos arredores da cidade de Luján. Não é bem um zoológico, parece mais uma chácara onde o visitante pode entrar nas jaulas e acariciar felinos como tigres e leões..

Delta do Tigre. Há quem ame, há quem odeie. Já quase fui de barco, saindo de Puerto Madero. A maioria das pessoas pega o trem na Estação Retiro. Alguns trocam com o Trem de la Costa no meio do percurso, mas o índica maior de satisfação é quando vão com o trem comum (bem caidinho), pois em Tigre desembarca-se numa área mais interessante. O que tem no Tigre? 1) navegação pelos rios para apreciar as belas construções nas margens. 2) recreos – lugares onde as pessoas passam o dia fazendo churrasco. 3) Parque de la Costa, um parque de diversões bastante popular. 4) Aquafan. Parque aquático inaugurado no verão 2014-15. Tem desconto se comprado ingresso combo com o Parque de la Costa. 5) A cidade em si, com museus e o Puerto de Frutos, uma grande feira de artesanato, móveis, artigos de decoração etc.

Colonia de Sacramento. Pode tanto ser um bate-volta quanto uma parada para quem faz a dobradinha Buenos Aires e Montevidéu. A travessia é de catamarã e leva entre uma e uma hora e meia, dependendo da embarcação. Colonia foi colonizada por portugueses e lembra Paraty, com um centro histórico com ruas de pedras. O Buquebus é a empresa mais popular, e sai do Dique 4 de Puerto Madero. É possível ir também a Montevidéu, tanto de catamarã quanto por ônibus a partir de Colonia – nesse caso, talvez seja mais fácil e barato pegar um avião no Aeroparque.

sobre o zoo de luján

Polêmica! Polêmica!foto 1 (1)

O Zoológico de Luján fica um tanto longe de Buenos Aires. Dá pra ir por conta própria com ônibus comum, van ou por agência de turismo. O diferencial deste zoológico é que as pessoas podem entrar nas jaulas, acariciar felinos como leões e tigres e tirar fotos com eles. É aí que mora a controvérsia. Os animais são dopados? Sofrem maus tratos?

Li e pesquisei muito sobre o zoológico. A conclusão que tive foi que eu precisava ir pra ver com meus próprios olhos. 95% dos blogs e sites que criticam o zoo, na verdade, apenas replicam posts e opiniões. São pessoas que nunca foram lá e tem a pior ideia sobre o lugar. Um exemplo: o renomado Viagem na Viagem fez um post um tanto desinformado e tendencioso. Nos comentários (o meu está lá, fui na mesma época em que a autora foi), pessoas que só de ler o post já começaram abaixo assinado para fechar o zoológico. É uma consequência do nosso tempo, em que informações não são checadas, opiniões são tidas como verdades absolutas e  ninguém analisa nem reflete nada.

Agora falo sobre o que vi. Fui pra Buenos Aires no Carnaval de 2014 e planejava ir ao zoo na segunda feira. Não deu certo, pois tinha marcado com a Fabebus e acabei levando bolo ou eu que não entendi direito o local de encontro. Enfim, deixei pro dia seguinte, mas choveu, então fui na quarta, esperando um lamaçal no lugar. Muita gente se espanta, pois o zoo não é como um zoológico tradicional, parece mais uma grande chácara. O lugar não é bonito e o chão é de terra, por isso esperava um lamaçal – e não estava ruim. Depois de pagar o ingresso, recebi o mapa do local e fui direto para a jaula dos tigres. Era umas dez da manhã e tinha uma pequena fila. Fiquei apreensivo (afinal, vai que…) Observeu o animal, as pessoas, o tratador e estudando como deveria me comportar. Faltando um pessoa para minha vez, um tigre que estava deitado começou a andar pela jaula e a pular na grade, vendo a lhama que estava do outro lado. O que estava posando para as fotos também se levantou e começou a fazer o mesmo. Quem estava dentro teve que sair e a visitação foi interrompida por um momento. Eles se acalmaram e um deles voltou para seu lugar de tirar fotos.

As pessoas que criticam por criticar acham que lá é a casa da mãe joana, porém, há regras. Menores de 16 anos não podem entrar nas jaulas (estranho a autora do post do Viaje na Viagem ter levado a filha pequena), todos os pertences ficam do lado de fora, não se deve dar as costas aos animais, fazer barulho nem movimentos bruscos. Além disso, deve-se passar a mão apenas no torso, num movimento só. Já na primeira jaula vi que os animais não são dopados, há vários animais que se revezam e os tratadores são respeitosos e têm grande carinho por eles.foto 2 (2)

Como a jaula do tigre branco estava com fila, fui para a dos filhotes, que estava parcialmente coberta nas laterais para que fizesse sombra. O casal que estava na minha frente queria brincar e interagir mais com os filhotes de tigre, que estavam dormindo, meio que foram retirados à força. A jaula dos leões era a mais concorrida, mas o tempo passou rápido com a visita da lhama e dos gansos que queriam a comida vendida no zoo (uma mistura de milho, ração e outros grãos e farelos).  O leão estava deitado e acordado. O susto foi quando um outro que estava na jaula começou a rugir. Uma menina entrou na jaula carregando um garrafão para encher umas garrafinhas (as tais mamadeiras). Perguntei o que era e ela me disse que era “suco”, e bebeu na frente de todo mundo pra provar que não estava batizado.

O tratador me disse que o leão que eu tinha acariciado era filho do que tinha rugido. Uma das coisas que não se fala sobre o Zoo de  Luján é que ele é a maior reserva felina da América e que possui um grande banco genético. É muito bonitinho dizer que é contra zoológicos e coisas assim, mas zoos ainda são fundamentais para a conservação e preservação de diversas espécies (se não fosse por eles, o mico leão dourado e o jacaré de papo amarelo estariam extintos). Não apenas para reprodução, mas também para estudo. Quanto mais se sabe sobre o comportamento e hábitos, mais se sabe sobre como conservar as espécies em seus habitats naturais. Vivemos num mundo difícil em que há mais ameaças do que ações de preservação, e os zoológicos não são os mesmos de 20. 30. 50 anos atrás. É claro que há diversos tipos de zoológicos e nem todos tem essa preocupação.foto 3 (2)

Mas e então, como animais selvagens ficam tão mansos? Primeiro é preciso entender que eles nasceram em cativeiro. Nenhum daqueles felinos foi retirado da natureza. Desde o nascimento convivem com pessoas e cachorros, que são o termômetro comportamental. Se um leão ou tigre fica agitado, o cachorro entra em cena para brincar, por exemplo. Eles ainda possuem instinto, assim como um gato doméstico, só estão acostumados com pessoas.

Por que dormem tanto? Felinos têm hábito noturno, isso é fato. Qualquer pessoa que tem gato sabe que eles dormem a maior parte do dia. Eu já tive um gato por quase 18 anos e ele já ficou doente, precisando ser sedado. Ficava evidente quando ele estava dopado. Além do mais, nenhuma animal sobreviveria ser dopado diariamente, mesmo que levemente. Veterinários, biólogos, zoólogos e pessoas leigas como eu vão todos os anos ao Zoo de Luján para desmascarar a farsa. Até hoje não conseguiram muita coisa.

Os animais sofrem maus tratos? O que vi foram animais bonitos, com o pelo brilhante e bem nutridos. As jaulas tinham um bom tamanho e estavam limpas. O mau cheiro vinha apenas dos bodes e cabras, que são sempre fedidinhos.

Iria novamente? Acho que não. Tive uma ótima manhã, mas é longe de Buenos Aires, perde-se quase um dia inteiro e só há isso para se fazer – por isso os portenhos dizem que é programa de índio. Se você não entrar nas jaulas, vai ser um dia bem chato. E se estiver quente, talvez seja bem exaustivo. Se está com crianças, não vá, prefira o Temaiken.

Não estou defendo o Zoo de Luján nem quero incentivar ninguém a ir, minha intenção é dar uma visão lúcida do lugar, pois vejo muita gente falando coisas que não sabem e tomam partido só porque leram uma coisa ou viram uma foto (que nem identifica o local). Se você quer ir mas tem dúvidas quanto o lugar, eu sugiro fazer o mesmo que eu. Vá e tire suas próprias conclusões. Saí de lá como se tivesse ido ao zoológico normal. Não acho que eles sofrem mais que os animais do zoo do Rio, pelo menos lá não tem criança correndo, gritando nem atiçando o bicho.

Ninguém fala, mas parques como o Sea World são bem mais cruéis. Ver Blackfish (Netflix) e The Cove. Mais uma vez, se você quer ir, mas tem dúvidas, vá e tire as suas conclusões.

Como ir

O zoológico fica perto da cidade de Luján. No site tem o endereço completo, o valor da entrada e tudo mais. Eles aceitam real, mas dizem que o câmbio não é dos melhores. Evite os fins de semana e vá cedo.

A Fabebus faz o itinerário Buenos Aires – Luján. Quem já usou diz que é bem confortável, mas eu não tive sorte. Os horários estão no site. Não adianta mandar e-mail porque eles não respondem, tem que ligar pra fazer a reserva informando de onde vai sair. O número é pequeno mesmo, 2323 é o código da cidade de Luján.

De ônibus comum, é preciso ir até a Plaza Italia, em Palermo. O ponto fica na Av. Sarmiento com Santa Fé, paralelo ao zoo de Palermo, você vai ver um monte de ônibus. O 57 é um dos primeiros, mas pergunte ao motorista se vai passar pelo zoo, pois há outros ramais da mesma linha. A viagem leva cerca de duas horas e o momento mais demorado é quando entra na cidade de Moreno. O ônibus vai te deixar no meio do nada, mas é só passar por baixo do viaduto (sem perigo). Tem uma placa enorme. Para voltar, o 57 para em frente ao zoológico e retorna para a Plaza Italia. Para pegar o ônibus, é preciso ter o cartão Sube (veja aqui – na parte de transporte – o que raios é isso) ou pagar em moedas (o que não é uma tarefa fácil). Tenha crédito para ida e volta. Infelizmente não lembro o valor da tarifa. Como não tinha o suficiente, tive que ir até Luján. Pelo menos vi a catedral.

Catedral LujanDesculpe a qualidade das fotos. É que as fotos da máquina estão no computado avariado.

 

carnaval em buenos aires

Como é o carnaval em Buenos Aires? Aliás, existe carnaval em Buenos Aires? Sim, existe, mas nada comparado ao que acontece nas ruas brasileiras. Na verdade, é uma coisa recente, carnaval entrou no calendário de lá só em 2011, mas desfile mesmo só acontece na cidade de Gualeguaychú, a uns 200 km de Buenos Aires. Na cidade há grupos de foliões que vão para as ruas no fim da tarde, são as murgas, e geralmente interditam trechos de avenidas para os “desfiles”, nada que atrapalhe muito o trânsito. Mas a pergunta que todos fazem é: o que abre e o que fecha?

Segunda e terça são feriados, então bancos e serviços públicos não funcionam. Todas as lojas de rua fecham na segunda, mas algumas abrem na terça – inclusive as da Florida. Já os shoppings abrem normalmente, assim como os restaurantes e museus. A cidade fica mais vazia, pois muitos portenhos aproveitam para viajar. Ônibus e metrô também funcionam sem interrupção, mas algumas saídas de estações fecham. Supermercados, sorveterias, locutórios e kioscos nem sabem que é feriado. Na quarta-feira de cinzas, tudo volta ao normal desde cedo, não tem essa coisa de meio feriado.

a nova buenos aires

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> Para saber que moeda levar, onde se hospedar, como sair do aeroporto etc, clique aqui.

A primeira vez que fui a Buenos Aires foi em janeiro de 2007. Naquela época, eu não tinha o menor interesse na cidade, foi apenas um pulo na escala para a Terra do Fogo e Patagônia. Foi minha primeira viagem solo e paga com meu próprio dinheirinho e, logicamente, estava um tanto inseguro, já que não conhecia ninguém em terras argentinas, tampouco iria encontrar alguém e mal falava espanhol (ok, ainda mal falo, mas evolui graças ao Ricardo Darín). Fora as mil recomendações de segurança me alertando sobre os temidos batedores de carteira e taxistas. Me falaram também do humor (ou mal humor) e grosseria dos hermanos, coisa que ainda não conheci, três viagens depois. Sim, eu me apaixonei por Buenos Aires. Naquela manhã de city tour turistão em 2007, fui surpreendido por uma cidade vibrante e linda. Amei não apenas a arquitetura francófila, mas a movimentação da cidade, com pessoas caminhando para o trabalho, os ônibus e os cafés cheios.

Antes desta última viagem, li muitos relatos dizendo que BsAs estava muerta: suja, decadente, perigosa e cara. Um destino mais que batido. “Praga is the new BsAs”, “Bogotá is the new BsAs”, “Santiago is the new BsAs”. Not so fast, gente alarmista. Como não confio em julgamentos apressados e preguiçosos, a viagem também serviu para provar que Baires estava vivinha da silva. É verdade que com as restrições impostas pelo governo argentino, marcas internacionais e de luxo foram embora sem nem deixar bilhetinho, mas como disse, a cidade é vibrante e se reinventa. E é da crise que as coisas acontecerem. Quem disse que é preciso uma loja LV pra ter glamour?

Não veja os pontos turísticos como obrigação (mas se for primeira viagem, eu recomendo muito conhecê-los e alguns são ótimas pedidas sempre), a nova Buenos Aires está em ruas fora do circuito turístico. Não que estejam longe, mas em ruas onde os ônibus de turismo não passam. O bom de Baires é se perder e encontrar novos prédios, lojas, sorveterias, cafés e restaurantes. Os portenhos amam sair, passear e comer fora, então vai ter sempre um lugar muito bom nascendo ou bombando. Se é caro? Baby, você já viu os preços no Brasil? Adoraria saber onde esse povo que diz que tudo é caro em BsAs come e anda por aqui. Não, não é caro se comparado com o Brasil, mas já foi mais barato.

Buenos Aires mudou bastante nos últimos anos. Para melhor e para pior. Para o turista, acho que ela continua apaixonante e cheia de novas propostas. Mas a cidade não está mais perigosa? Não sei. Com certeza é bem menos violenta que qualquer grande cidade brasileira, basta tomar as mesmas precauções. Eu acho que o turista médio brasileiro está mudando e começando a ver que BsAs é muito mais que Casa Rosada, Obelisco, Calle Florida, compras e Siga la Vaca. Gracias a Dios! Viva Buenos Aires!

Como foi a viagem:

01/03/14: SDU > GRU > AEP. Jantar no Aramburu.

02/03/14: Avenida da Mayo, Plaza de Mayo, Feira de San Telmo, Puerto Madero, Recoleta.

03/03/14: Plano B > Teatro Colón, Centro, Museo de Bellas Artes, Malba, Jardín Japonés, Rosedal, Palermo Soho.

04/03/14: Cemitério, El Ateneo, Centro, Barrio Chino, jantar no ILatina.

05/03/14: Zoo de Luján, Centro, tango no Esquina Carlos Gardel.

06/03/14: Manhã na Recoleta. EZE > GIG.

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básico – buenos aires

Básico – Buenos Aires

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Eu tenho uma ótima relação com Buenos Aires. Amo a cidade e ela me ama.  É, eu posso dizer isso. Esta viagem foi minha terceira passagem por Buenos Aires. Fui com minha mãe no Carnaval passado, a primeira visita dela, então foi obrigação minha fazê-la amar a cidade tanto quanto eu. E eu acho que ela entendeu o porquê e voltou com BsAs no coração.

Como se planejar? Acho que a principal dúvida é quanto ao dinheiro. Primeiramente, não vale a pena trocar reais por pesos no Brasil. Você até pode levar uma quantia pequena para as primeiras despesas, mas saiba que o Banco de La Nación nos aeroportos vai ter uma cotação muito melhor. Dito isso, leia tudo que puder sobre a cidade, mas coisas recentes. Aquela dica dada por alguém que viajou dois, três, dez, vinte anos atrás já não vale. Toda cidade está em constante transformação. Saiba quais são suas opções, faça um roteiro por regiões e leve tudo anotado: restaurantes, lojas, lugares. Saiba não apenas o endereço, mas entre quais ruas o local fica, pois as ruas e avenidas de Buenos Aires cortam a cidade inteira. Google e Google Maps servem para isso. Faça o seu mapa. Infelizmente a cidade não conta com o Street View, embora os trabalhos tenham começado em setembro de 2013.

O que ver em Buenos Aires? É uma cidade grande, vai ter sempre um show, concerto ou exposição rolando. Para isso, acompanhe por aqui e aqui .

De pontos turísticos, temos o coloridinho Caminito e o estádio La Bombonera no bairro Boca, a feira de domingo em San Telmo, a Plaza de Mayo e Avenida de Mayo, o Obelisco, o Teatro Colón e as Galerías Pacífico, no Microcentro. O bairro da Recoleta já é uma atração em si, mas nele ficam a livraria El Ateneo Grand Splendid, o Cemitério, a Avenida Alvear, a Iglesia de N. S. de Pilar, o Museu de Bellas Artes e a Flor Metálica. Nos bosques de Palermo ficam o Jardín Japonés, o Rosedal, Jardim Zoológico e pertinho fica o Malba. Mas Buenos Aires vai muito além, acredite. É uma questão de experiência.

Onde ficar? Muita gente fala para não ficar no Microcentro. Eu concordo, mas entendo quem escolhe ficar lá. 20, 30 anos atrás, a região fervia dia e noite. Era lá onde tudo acontecia, com restaurantes, teatros e gente indo ao cinema de madrugada. Acontece que o Centro entrou em decadência, mas a hospedagem dos pacotes continuou sendo lá. Há facilidades para quem fica no centro, mas não há muitas opções bacanas de cafés e restaurantes, principalmente à noite. Abaixo, os prós e contras de cada bairro.

Microcentro. Prós: A locomoção é fácil. fica perto dos principais atrativos turístico e da rua Florida, que ainda oferece as melhores cotações de câmbio. Contras: É muvucado e exige mais atenção no quesito segurança. À noite, a região morre e as opções são poucas. Quem fica lá acaba tendo que se refugiar nos restaurantes de Puerto Madero.

San Telmo. Prós: Dizem que Buenos Aires nasceu em San Telmo. Muitos gostam da autenticidade dos casarios e prédios. Há alguns bares, restaurantes e cafés. Contras: O mesmo do Microcentro. É preciso ficar mais atento e as opções noturnas não são muitas.

Puerto Madero. Prós: É bonito de dia e de noite. Contras: É caro, acaba ficando meio distante de tudo e nem todos os restaurantes são a maravilha que parecem ser.

Recoleta. Prós: É o bairro mais bonito e elegante da cidade, tem atrações turísticas e muitos lugares para se descobrir. É relativamente central e seguro, permitindo caminhadas à noite. Também tem bons restaurantes e cafés. Contras: A hospedagem é mais cara que em outros bairros, mas pesquisando encontra-se boas ofertas. Não é um bairro muito badalado, o que obriga os mais baladeiros a irem até Palermo Soho. Também não tem metrô.

Palermo (Soho). Prós: Tem vários cantos novos para se descobrir e dá para caminhar de dia e de noite. Contras: Não é um bairro central, então pode ser meio longe para uma primeira viagem.

Palermo (Hollywood). Prós: Para quem gosta de badalar até o sol raiar.

Contras: Fica do outro lado da linha do trem, meio longe. Não há muita vida durante o dia.

Quando ir? O ano todo. O Rio da Prata deixa o verão muito úmido e quente. A primavera e o outono são muito agradáveis, fazendo friozinho de manhã e de noite. O inverno é bem frio. Não, não costuma nevar em Buenos Aires. Já nevou, mas é raro.

A previsão do tempo mais certeira é a do Servicio Metereologico Nacional, mas ele não faz previsão para muitos dias. O do Tempo Agora também funciona melhor que do Weather Channel, Yahoo e AccuWeather.

Que moeda levar? Atualmente, o governo argentino tenta manter o dólar na casa  dos oito pesos, enquanto no paralelo, a cotação oscila bem mais para cima. É difícil dar uma resposta definitiva, pois tudo muda constantemente. Mas pelo andar da carruagem, vale tanto levar real quanto dólar. Bom, se você tiver dólar, leve, mas se não tiver, leve apenas real. Cartão de crédito, débito, saques e VTM não valem a pena. Além do IOF de 6,38%, você vai passar por duas conversões do câmbio oficial. Fora que alguns estabelecimentos não aceitam cartões.

Sim, o que quero dizer é que é bem mais vantajoso você levar dinheiro em espécie. Como um bom blogueiro, devo aconselhar a trocar dinheiro em câmbios oficiais, mas, sério, todo mundo troca no paralelo. O governo faz mais que vista grossa e os lugares de troca são organizados e seguros, nada de beco no final da rua. Tenha apenas cuidado com notas falsas e basta procurar no Google pra saber com quem ou onde trocar. Quem quiser o “onde, como e quem?”, basta pedir nos comentários, ok?

Muitas lojas e restaurantes aceitam real e dólar, então fique atento, na maioria das vezes vale a pena.

No aeroporto, troque apenas o necessário para as primeiras despesas. O Banco de La Nación costuma ter as melhores cotações. Nos dois aeroportos, ele fica depois do portão de desembarque e funciona diariamente, 24 horas.

Se de BsAs você vai para outras regiões, saiba que o real não é tão bem aceito quanto na capital. Dólar é a moeda estrangeira mais aceita. A cotação paralela quase não existe nas outras cidades.

Mas quanto levar para Buenos Aires? Isso depende de muita coisa, fora a inflação galopante. Se você não liga para comida, se contenta apenas com empanadas e só vai para lugares gratuitos, com 50 reais dá pra passar o dia. Agora, se você quer comer muito bem, ir a lugares pagos como o Malba ou o Teatro Colón e tomar um sorvetinho, calcule uns 150 reais. Mas como eu disse, o quanto varia muito de pessoa para pessoa. Para ter uma ideia de quanto custa uma refeição naquele restaurante que você quer ir, dê uma olhada no Guía Oleo.

Documentos. Como faz parte do Mercosul, brasileiros não precisam de visto para entrar no país, basta a carteira de identidade ou o passaporte. Cidadãos estadunidenses, canadenses e australianos precisam pagar a taxa de reciprocidade. A taxa pode ser paga online. Mais informações, aqui.

A Argentina não exige vacinação nem seguro viagem, mas é bom ter. Os trâmites de imigração são tão fáceis que nem é preciso preencher formulário, mas as bagagens passam pelo raio-x antes de passar pelo portão do desembarque. Então nada de frutas, produtos de origem animal etc.

Como sair do aeroporto. Você pode chegar em Buenos Aires pelo aeroporto internacional Ministro Pistarini de Ezeiza, o popular Ezeiza, ou pelo Aeroparque, dentro da cidade. Seja lá por qual aeroporto você chegar, não saia com aqueles caras que ficam oferecendo táxi como se estivessem vendendo banana. Gaste um pouco mais e pegue um táxi oficial ou remis. Nem é caro e você não vai ter aborrecimento. Se fechar ida e volta, ganha desconto na volta. Se sua onda é economizar, repense se realmente vale a pena sair de ônibus, pois eles demoram e ficam cheios – e o Ezeiza é bem longe. Fora que os ônibus (com exceção do shuttle do Manuel) aceitam apenas moedas ou o cartão Sube.

Ezeiza: Taxi Ezeiza, Manuel Tienda de Leon (também tem ônibus que fazem shuttle), Remis World Car, Remis Vips Cars, Remis Transfer Express.

As linhas de ônibus que passam pelo Ezeiza estão aqui.

Aeroparque: Manuel Tienda León, Transfer Express e Trans Air. Evite pegar táxi parado na porta, há uma máfia de taxímetro adulterado velha conhecida de todos.

As linhas de ônibus que passam pelo Aeroparque estão aqui.

Em julho, um ônibus vai ligar o aeroporto aos principais pontos na cidade. O Arbus Aeroparque vai ter uma boa frequência e será possível pagar ainda no aeroporto, com cartão de crédito ou tarjeta SUBE.

Como se locomover. Buenos Aires é uma cidade muito fácil de se andar. A cidade é plana, os táxis são baratos, o metrô vai pra tudo que é canto e andar de ônibus pode ser um programão.

Na sua pesquisa para a viagem, anote não apenas o endereço dos lugares, mas também entre quais ruas ele fica. As ruas e avenidas da cidade cortam a cidade, então, para um taxista ou motorista de ônibus, a numeração não ajuda muito. E para você também vai ser melhor. Aliás, vá ao Google Maps e marque os lugares, assim você otimiza o seu roteiro.

Mas voltando aos endereços, por exemplo, eu fiquei no hotel Ulises, na Ayacucho 2016, mas toda vez que tomava um táxi, dizia “Ayacuho, entre Posadas y Alvear”.

Os ônibus só aceitam moedas ou o cartão Sube, que também é aceito no metrô e até para pagar pedágio. Com o Sube, a passagem fica mais barata e, sim, você pode comprar só um cartão para um monte de gente usar. Ah, metrô é subte e ônibus é colectivo, ok? E cartão é tarjeta. E se tiver fila, respeite! Argentinos adoram formar fila pra tudo.

Aqui está o mapa do metrô.

Aqui tem um mapa para saber qual ônibus pegar.

Tem também o Guía T, um livro que se encontra em qualquer banca de jornal e kiosco para saber que ônibus pegar.

Para saber onde comprar e recarregar seu cartão Sube, clique aqui.

Para saber quanto sua corrida de táxi vai dar (aproximadamente), clique aqui.

Andar de rádio-táxi é mais seguro, você os identifica pelo letreiro em cima do carro ou pelo nome da empresa na porta. Se pedir um táxi, você pagará uma taxa que varia de empresa para empresa, mas nada extorsivo.

Segurança. Desde a primeira vez que fui a Buenos Aires, todo mundo me soterra de alertas contra batedores de carteira, taxistas golpistas, garçons malandros etc. Nas três viagens, em nenhum momento me senti em perigo ou desconfortável. Confesso que nesta última, fiquei meio paranoico no primeiro dia, mas depois desencanei. Tome os mesmos cuidados que toma no Brasil.

Assaltos não são muitos comuns, mas furtos acontecem. Nada de carteira no bolso de trás da calça, não exponha objetos de valor e fique atento aos seus pertences. Só isso. E bom senso, não vá andar na rua deserta no meio da noite!

– Ande apenas com o dinheiro do dia e uma cópia da identidade/passaporte. Guarde tudo de valor no cofre do quarto do hotel. A velha doleira é de grande ajuda.

– Em lugares muvucados, principalmente no metrô e no centro, redobre a atenção. Bolsa e mochila para frente.

– Pague a corrida de táxi com trocados, só em último caso pague com uma nota de 100 pesos . Quando pedir a conta no restaurante, peça ao garçom para trocar uma nota, mesmo que seja por duas de 50. Nas duas vezes que pedi, me deram tudo em notas de 10.

– Se você notar que o taxímetro está voando e o motorista mexe insistentemente no rádio, peça para parar. A intenção dele é fazer com que você pague mais caro e com uma nota de 100 para ele trocar por uma falsa.

Os blogs que me ajudaram:

Buenos Aires Para Chicas – A Amanda era adolescente quando se mudou com a família para Buenos Aires. Foi uma tragédia para ela. Sua família já voltou ao Brasil e ela não quer mais ir embora de tanto que ama a cidade. Embora o título diga que é para chicas, serve para todos. Mistura comportamento, atualidades, dicas de passeios, baladas e restaurantes. Ela também escreve para o Destemperados.

My Villa Crespo – Blog da Mariana, uma brasileira que tem um hotel na Villa Crespo, o Querido. As dicas dela são excelentes. O blog anda meio parado porque ela teve uma filha recentemente!

Pindalolas – Blog da Naiara, que gosta de falar sobre o comportamento dos portenhos, diferenças culturais e achados em andanças.

Aquí Me Quedo – Uma expert em tango e dicas culturais.

Aires Buenos – Blog do Túlio, também residente de Buenos Aires.

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Chile – índice de posts

skyline> Para ir direto.

Básico – Chile: Todas as minúcias e serviços usados na viagem para Santiago, Parque Provincial Aconcágua, Viña del Mar e Valparaiso, e Puerto Varas.

Dia 1 – Santiago – Precisamos Comer: Saída do Rio e chegada em Santiago, com direito ao lanche no McDonalds durante a madrugada.

Dia 2 – Santiago – City Tour: As andanças pelos principais pontos turísticos da cidade – La Vega, Mercado Central, Plaza de Armas, Cerro Santa Lucía, Cerro San Cristóbal e Costanera Center [ok, este não é bem um ponto turístico].

Dia 3 – Aconcágua – Nas Montanhas da Loucura: O sensacional Monte Aconcágua + Laguna del Inca.

Dia 4 – Valpo e Viña: Nas Franjas do Mar: Bate-volta para as duas cidades vizinhas. A boêmia, histórica e meio castigadinha Valparaíso e a San Tropez chilena Viña del Mar.

Dia 4 – A Última Ceia: Continuação do dia. Aliás, último dia de 2013. Jantar no El Jardín de Epicuro e fogos com o cachorro de rua.

Dia 5 – Indiozinho Quer Solzinho: Bye bye, Santiago. Hola, Puerto Varas. Recepção com chuva e cara feia.

Dia 6 – Chiloé – Onde Vivem os Monstros: Uma visita aos pinguins da mais pitoresca das ilhas chilenas.

Dia 6 – 1kg de cereja: Rolezinho pelo centro de Puerto Varas, mais chuva e um vendedor de cereja.

Dia 7 – Osorno, Petrohué, Todos los santos – Top of the Lake: As cerejas do bolo de Puerto Varas. Mexi e remexi tanto no texto que o título perdeu o sentido. Era só para dizer que o clima era igual ao da minissérie.

Dia 7 – Puerto Montt e Frutillar – Micros: Ida a Puerto Montt e Frutillar de ônibus comum.

Dia 8 – Adiós, Depressão e Extras: Choradeira de despedida, calor infernal no Rio e algumas sugestões para conhecer melhor o Chile.Pinguineras 9

dia 3 – aconcágua – nas montanhas da loucura

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Quando eu vi um post sobre o bate-volta pro Aconcágua, eu imediatamente coloquei a excursão no roteiro. Sabia que ia ser puxado e perderia um dia em Santiago, mas também sabia que ia valer a pena mesmo que ficasse o tempo todo dentro da van. Valeu muito. Para mim, foi o melhor de toda a viagem, e olha que fui para lugares incríveis!

O Cristian ia nos pegar às 7h. Meu café da manhã foi uma banana meio verde e um potinho de gelatina de laranja. Sabia que ia passar fome [e passei] nas horas seguintes! Bom, antes preciso apresentar o Cristian, senão fica parecendo que ele é o cara da lotação que leva o povo pra Praia Grande. Ele é o proprietário, habilidosíssimo motorista e guia da Andes Wind. Sua especialidade é levar gente comum, como você e eu, até o Parque Provincial Aconcágua, já na Argentina, para fazer um trekking e ver o magnífico Aconcágua, o ponto mais alto do mundo fora do Himalaia. São 6.962 metros acima do nível do mar. Soube do tour através deste blog, enquanto procurava informações sobre a virada do ano em Puerto Varas. Meu contato foi apenas por e-mail e os comentários que encontrei pela internet eram bastante elogiosos [o meu já está lá].  

Cristian foi pontual e muito simpático. Foi engraçado conhecê-lo, porque esperava um cara tipo Paulo Cintura, meio professor de educação física de colégio. Que nada, ele era o oposto. Super tranquilo, daqueles que sabem ouvir o vento e ler as nuvens. Entramos na van e buscamos um casal no “bairro” Paris-Londres e um cara na Bellavista. Só para ser claro, Paris-Londres não é um bairro, são apenas duas ruas no centro que lembram [pelo menos assim as pessoas dizem] as ruas destas duas cidades. Todo mundo na van tinha cara de gringo, mas era tudo brasileiro! Rararara! E pensar que demos “buenos dias” e “good morning”.paris-londresParis-Londres.

A viagem até o parque levou cerca de 3 horas. Sim, é longe! Durante a primeira hora, a paisagem foi como a de qualquer rodovia, com fábricas e sedes de transportadoras nas margens. O terreno era bem árido neste início. De repente, o cenário começou a mudar. Plantações e parreirais começaram a aparecer com a cadeia de montanhas no fundo. E começamos a subir! Tudo era impressionante, gigantesco e absolutamente lindo! Cada pico mereceu as dezenas de fotos que tiramos. A melhor parte foi quando subimos Los Caracoles e depois atravessamos o Túnel Cristo Redentor, a exata fronteira com a Argentina. Os trâmites de saída do Chile e entrada na Argentina foram feitos no posto Horcones. Felizmente não havia fila e o procedimento foi rápido. É a chance de usar o banheiro. estradaDSC02887aconcagua 6Andes

De lá seguimos cerca de 2 km até a Puente del Inca. Apesar do nome, os Incas não passaram por ali.A formação da ponte é natural e passa por cima do rio Las Cuevas, um afluente do rio Mendoza. Especula-se que a ponte se formou durante o degelo da última era glacial. A cor amarelada vem dos minerais que saem das fontes termais onde ficam as casinhas. No início da década de 1960, construíram um hotel bem ao lado para que os ricos hóspedes pudessem se banhar nas águas termais. Só que a mentalidade da época não previu que o lugar ficava no meio dos Andes e uma avalanche destruiu o hotel. Uma tragédia! Milagrosamente, a ponte e as casinhas permaneceram intactas. Até 2006 era permitido cruzar a ponte, atualmente, apenas os comerciantes da feirinha em frente podem passar para mergulhar objetos como garrafas, vasos e sapatos nas águas termais. Os objetos ficam um bom tempo, 9 semanas, e depois saem calcificados, da mesma cor da ponte.Puente del IncaPuente del Inca ruínasPuente del Inca artesanatos

O nome do lugar vem da lenda de que um poderoso chefe Inca buscava um lugar milagroso para curar seu filho enfermo. Ao saber das águas termais, rumou até o lugar com seus melhores soldados. Só não contava com o rio. Foi então que os soldados se abraçaram e formaram uma ponte. O menino foi curado, mas quando viram, os soldados haviam se transformado numa ponte de pedra. Darwin também passou pela ponte em sua segunda viagem pelos Andes. Ele fez alguns desenhos. No inverno, o lugar fica coberto de neve.

Não ficamos muito tempo por ali, o suficiente para contemplarmos. Até por quê, não há muito o que fazer. Aos interessados, além das barraquinhas, havia também uma cafeteria com banheiro. Bom, acho que fica implícito que é preciso consumir para poder usar o banheiro. Minha tia comprou um cafezinho ali, mas não lembro se ela pagou com peso chileno ou com dólar.

Voltamos pela estrada novamente até o posto Horcones, desta vez apenas para o Cristian comprar os sanduíches que seriam o nosso almoço. Eu fiquei feliz quando ele me perguntou se alguém era vegetariano, sinal de que comeríamos em breve. Mas não…

Da estrada vimos montanhas incríveis, não só de tamanho, mas também de cores. Algumas rosadas, outras mais azuladas. E também, é claro, o Aconcágua. A entrada do Parque Provincial Aconcágua tem vista do lado sul do Aconcágua, a parte mais difícil de se escalar. Pelo que o Cristian disse, a dificuldade de se escalar o Aconcágua é mais pelas condições climáticas que pela técnica. Ele é um dos sete cumes mais difíceis do mundo. Recentemente, um garoto de nove anos foi o mais jovem a subir o monte. Ele subiu por um caminho intermediário, mas mesmo assim… não é pra qualquer um. Dos muitos que tentam subir anualmente (a temporada vai de novembro a março), pouquíssimos têm sucesso.andesDSC02909

Nossa ida foi apenas para fazer um trekking. Cristian nos deu duas opções, de uma ou duas horas [ida e volta]. Meus tios ficaram apenas com a primeira opção, para ele não forçar a perna. Foram até o primeiro mirante e voltaram para o estacionamento. Nós e os outros três fizemos a segunda opção. Adoro falar que fiz um trekking porque não tenho nenhuma [sério, zero] habilidade esportiva, então fica parecendo que fiz algo muito incrível! Apesar da altitude de 3 mil metros, sentimos apenas um leve cansaço no início. Não estava frio nem quente, mas ventava muito. E o vento trazia pequenas pedrinhas e muita poeira. Seguimos a trilha descansando em alguns pontos ou tirando fotos, cada um no seu tempo. Cristian nos acompanhou o tempo todo, o que achamos louvável! A maioria dos guias diria simplesmente para seguir a trilha.

Bom, devo dizer que apesar de bater muita perna, teve uns momentos que deu vontade de voltar, pois a tal ponte [que seria o nosso último ponto] não chegava nunca. No total, caminhamos 5 km, mas pareceu mais por conta das pedrinhas, do vento, do sol e das subidinhas. Mas valeu muito a pena! Foi o mais próximo que chegamos do Aconcágua. Uma paz e a sensação de perfeição que só se encontra em lugares como aquele. A Terra é fantástica!aconcagua 4aconcagua 7aconcagua 8Me irrita um pouco quando as pessoas dizem que a natureza é isso ou aquilo. Nós somos a natureza. É de uma arrogância tremenda acharmos que somos coisas separadas. Aquelas montanhas, o rio, as pedras, as flores, o gelo e a neve… estamos todos conectados. E neste ciclo, nós somos absolutamente insignificantes. Um símbolo disso é a múmia de mais de 500 anos encontrada no Aconcágua em 1982, uma criança sacrificada, envolta em tecidos, penas e feijões cozidos para a passagem. Nós somos efêmeros e eternos.

No caminho de volta, passamos pela Laguna Horcones, a principal do parque. Linda e com o que me pareceram ser patos (estavam longe, não deu para ver). Sentei-me numa pedra para descansar e esperar um pouco os outros. Foi quando Cristian mandou eu olhar melhor a pedra. Meus Deus, era um fóssil de ammonite! A prova de que, milhões e milhões de anos atrás, o Andes foi o fundo do mar. E havia mais fósseis. Mais uma vez achei a Terra incrível! Vimos também um coelho gigante correndo feito um louco até se camuflar na vegetação rasteira. Depois disso voltamos para o estacionamento, onde finalmente almoçamos!aconcagua 5

O sanduíche de carne estava delicioso! Juro! Coisa que o Anthony Bourdain comeria. A Coca geladinha também estava muito boa. Ainda não acredito como consegui andar 5 km só com uma banana e uma gelatina no estômago.

Os trâmites de saída da Argentina e entrada novamente no Chile foram mais demorados, mas nada complicado. Desta vez no posto Paso Los Libertadores. É que todas as bolsas e mochilas tiveram que passar pelo raio-x. E mais uma vez tinha um cachorro vendo se a gente tinha drogas. Usei o banheiro do posto, que estava meio sujo e tinha uma água glacial. Melhor teria feito se tivesse esperado um pouco até a próxima parada.

Pouco tempo depois estávamos no Ski Portillo. No verão, a estação fica vazia, recebe apenas pessoas para almoçar, grupos de estudantes para “acampamento de férias” e gente como nós, apenas para ver algo impressionante. Entramos e subimos para o segundo andar, passando pelo são bernardo desmaiado na escada. Cacilda, que vista! A Laguna del Inca estava deslumbrante com sua água turquesa. De verdade, parece fake, mas é turquesa mesmo. Ficamos sem palavras. No inverno, o lago congela e as pistas de esqui vão até ele. Como há outras estações mais próximas de Santiago, o Portillo não é a opção mais popular, mas é a casa de equipes americanas e europeias durante o verão no hemisfério norte. Então suas pistas são mais para profissas que para iniciantes [mas tem pista para iniciante]. Descemos e tomamos um café. Sorvete, no meu caso.laguna del inca 2laguna del incaDe tanto ser mexido, o cachorro acordou e posou para fotos com todo mundo. No fim, veio até mim e se esfregou na minha perna, praticamente um terremoto. Ele queria que alguém abrisse a porta pra ele. Saiu e se jogou perto dos potes de comida e água. Descemos mais um pouco e fizemos a última parada, apenas para fotografar Los Caracoles, que havia passado por uma grande reforma no ano passado, limitando o tráfego das 7h às 19h para descer e das 19h às 7h para subir. Durante aquele período, o tour do Cristian saía antes das cinco da matina.portillo sao bernardolos caracoles

Chegamos em Santiago por volta das 19h. Fomos os últimos a ser devolvidos. Como era segunda-feira, a cidade estava bem diferente, muito movimentada e com trânsito em alguns trechos. O passeio foi sensacional! Como eu disse, para mim, foi o ponto alto da viagem. Estávamos cansados e sujos, mas precisávamos jantar.

O jantar foi uma dúvida. Ligúria ou um restaurante japonês. O segundo ganhou por maioria de votos, e o eleito foi o Ozaki, mais ou menos perto do hotel [eu juro que achava que era bem perto], mas deu para ir e voltar a pé.

Uma coisa certa em Santiago é que quase nenhum restaurante japonês é realmente japonês. Geralmente é a fusão da cozinha japonesa com a peruana, muito comum no Peru e uma grande influência na gastronomia chilena. Pedimos dois makis, não lembro exatamente quais, mas um era com atum e o outro de camarão com palta [abacate], ambos com molho teriyaki. Se não fosse pelo molho [que já não sou muito fã, e aquele estava bem adocicado], teria sido melhor. Pedimos também um ceviche, que estava divino, e a grande estrela da noite, na opinião dos quatro [meu voto foi pro ceviche]: espaguete com frutos do mar. Ali provamos o primeiro pisco sour [bebida feita de pisco – aguardente de uva -, suco de limão, calda de açúcar, angostura e, às vezes, clara de ovo], que lembra a caipirinha e é deliciosa quando bem feita, assim como a caipirinha. Não lembro quanto deu a conta, mas deu um pouco menos que 55.000 pesos [5 pratos e 6 bebidas + 10%]. Final de dia super feliz!

Andes Wind: pelo que soube, é necessária uma permissão prévia para ir ao Parque Provincial Aconcágua e o pagamento de uma tarifa. Não sei bem como são estes requerimentos, pois o Cristian já tinha cuidado de tudo. Nos e-mails que trocamos, ele me pediu nome completo, nacionalidade e o número do passaporte de cada passageiro. É recomendado levar a própria garrafa d’água, um boné/viseira, tênis para caminhadas, um casaco (se possível, com gola que cubra a nuca) e protetor solar. Super recomendamos o Cristian. Ele realmente ama aquele lugar e vai fazer de tudo para que a gente ame também.

> Ozaki: Santa Beatriz, 135. Providencia.

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