básico – el calafate

4 - perito moreno passarelas 16A maioria das pessoas que vai a El Calafate faz dobradinha com Ushuaia, a cidade mais austral do mundo. Foi o que fiz sete anos atrás, e por experiência própria, vale mais a pena ir primeiro para Ushuaia e depois para El Calafate. Simplesmente por dois motivos: 1) As paisagens de El Calafate são mais impactantes. Se você for primeiro para lá, Ushuaia acaba ficando meio sem graça (não que lá seja feio). 2) Ushuaia é mais longe, então é mais conveniente ir primeiro para lá e depois voltar. Os voos para Ushuaia geralmente fazem escala em Trelew ou El Calafate.

Alguns guias dizem que não há muito o que ver em El Calafate e mandam você ficar dois dias na cidade e quatro ou cinco em Ushuaia. Eu não concordo, pois a partir de El Calafate dá para ir para Torres del Paine (no Chile) e El Chaltén. É claro que você pode passar dias nessas outras cidades, mas se seu negócio é apenas visitar e apreciar a paisagem sem ter que fazer trilhas, uma excursão de dia inteiro vale mais a pena. E cá entre nós, quatro dias em Ushuaia é bem entediante cansativo.

Como planejar? Se vai em dezembro-janeiro, principalmente no Ano Novo, é necessário planejar com bastante antecedência. De verdade! Em abril/maio, os hotéis começam a divulgar as tarifas da temporada seguinte. Em junho já fica difícil encontrar certos hotéis, inclusive albergues. A partir de outubro, comece a ver as excursões e reserve as mais concorridas – Mini Trekking, Estância Cristina e Torres del Paine Full Day. Sério, não dá para reservar estes passeios quando chegar na cidade. O que eu vi de gente frustrada por não conseguir fazer o Mini Trekking… E eu não consegui ir pra Torres del Paine. A maioria das agências pede 50% de entrada (pagamento por cartão, Paypal ou PagSeguro), a outra metade é paga lá ou cobrada uma semana antes – depende da agência. A alta temporada vai até a Semana Santa, depois disso fica tranquilo.

Como ir? Do Brasil, TAM-LAN e Aerolíneas Argentinas. Mas tome alguns cuidados.

Pela TAM: Os trechos Brasil – Buenos Aires e Buenos Aires – Brasil são operados pela Tam, enquanto Buenos Aires – El Calafate e volta, pela LAN. É possível comprar os trechos juntos, mas não é possível parcelar. Para parcelamento, é necessário comprar os trechos separadamente, o que encarece o preço final.

Pelas Aerolíneas: É quase certeza de que o voo que vai chegar em Buenos Aires será no Ezeiza, sendo que o embarque para El Calafate é pelo Aeroparque. O site vende voos sem margem de tempo para conexão, então fique atento! E não importa se te falarem que vai dar tempo, pois não vai. Você terá que pegar sua mala e ir para o Aeroparque. Novamente: fique atento ao tempo de conexão. Do Ezeiza pro Aeroparque são 40 minutos (sem trânsito), fora o tempo para imigração e pegar as malas.

Seja pela TAM ou Aerolíneas, vale passar um dia em Buenos Aires. Tanto para descanso, quanto para fazer câmbio.

Dica: Pesquise as passagens com o navegador no modo anônimo. Os sites gravam o IP e podem aumentar o preço cada vez que você pesquisa.

Quando ir? O verão é a alta temporada, mas dá para ir o ano inteiro. Só entre maio e setembro que algumas atividades não funcionam ou ficam restritas, como os trekkings no gelo. O verão é frio, com temperaturas que vão dos 5 aos 20 graus. Sim, em um dia você pode experimentar as quatro estações do ano. Dezembro e janeiro são meses que ventam muito, mais que o normal. Já o inverno não é tão dramático como a gente imagina. Mínima de -5 e máxima de 10 graus. A melhor previsão meteorológica é a do Servicio Meteorológico Nacional (clique em Río Gallegos para abrir a província), pena que não fazem a previsão para mais de 5 dias.

Que moeda levar? Tem muito brasileiro em El Calafate, mas nós não somos a maioria dos turistas. O real não é tão bem aceito como em Buenos Aires, nem o câmbio paralelo é muito popular. Dólar e euro são aceitos em quase todos os lugares, o peso também, claro. A cotação do dólar varia bastante, mas abaixo do paralelo de BsAs. O melhor a fazer é trocar por pesos em Buenos Aires antes de ir. Há casas de câmbio e caixas eletrônicos também.

Onde se hospedar? Nisso eu vou ser categórico: próximo ao trecho onde tudo se concentra na Av. del Libertador (ver mapa). Há hotéis 4 e 5 estrelas que ficam afastados do Centro e até oferecem traslado para o Centro. Tenho certeza de que são muito confortáveis. Mas depois de um dia inteiro andando, você vai pensar duas vezes se vai querer depender de táxi ou da van de traslado para ir ao Centro. Eu fiquei no hotel ao lado do ponto de encontro dos traslados, e a cara do povo esperando a van no frio não era muito feliz.

Fiquei no hotel do Automóvel Clube, o A.C.A. El Calafate. Fiquei muito feliz quando consegui reservar neste hotel, pois ele é relativamente novo, confortável, muitíssimo bem localizado e as tarifas eram bem atraentes. Mas reserve com antecedência, pois lota rapidinho.

Se vai com a família, há cabanas para até cinco pessoas, quase fiquei no Santa Mónica Aparts (excelente localização). Aliás, quase fiquei no Sierra Nevada (tem que andar um pouquinho), Michelangelo (mais simples) e Terrazas del Calafate (não vi, mas é longe do Centro).

O que ver em El Calafate? A cidade vive exclusivamente do turismo. Tudo é bonitinho e agradável, realmente um lugar delicioso para passar o fim de tarde, mas tirando a Laguna Nimez e o calçadão (Costanera), não há muito o que ver. Todas as atrações ficam distantes do Centro. O Perito Moreno é a estrela, é a geleira mais famosa e acessível do Parque Nacional de los Glaciares. Para vê-lo, há passarelas (como as de Foz do Iguaçú), navegação e os trekkings sobre ele. Há ainda a navegação para ver os outros glaciares, o Bosque Petrificado e passeios de meio dia, como diversas estâncias e o Balcón de Calafate. De El Calafate é possível fazer passeios de dia inteiro (literalmente) para Torres del Paine e para El Chaltén.

Como sair do aeroporto? O aeroporto fica no meio do nada, bem longe, então você vai depender de táxi ou traslado. Há algumas lojas que oferecem estes serviços logo depois do portão de desembarque. Usei a Ves Patagonia, uma van que vai deixando os turistas nos seus hotéis. É barato (custou 170 pesos – ida e volta – jan.2015), prático e você vai conhecendo a cidade no caminho.

Com que roupa eu vou? O street fashion de El Calafate é bem casual e confortável. À noite, o povo se veste melhorzinho, mas nada chique, afinal, é uma cidade de aventureiros. Esqueça qualquer coisa de couro, salto, sandália, vestido, casacões pesados… só vai ocupar espaço na mala. Mas há três itens que eu acho fundamentais: tênis/bota para montanha, blusa fleece/polar e casaco impermeável corta-vento. A arte de se vestir como uma cebola.

Esse tipo de tênis/bota não vai deixar você com os pés gelados poque não vai entrar vento nem a umidade do solo. Use com meias grossas. bota

A blusa de fleece esquenta e permite que o suor evapore. Use com uma camiseta por baixo, ou, se achar necessário, uma segunda pele. fleece

O casaco é muito importante. Ele não esquenta muito, mas impede a entrada do vento e da umidade. casaco

A calça pode ser jeans, mas é bom usar uma segunda pele (aka ceroula – eu usei a da Uniqlo e não passei frio nem calor).

Obviamente, você não precisa comprar exatamente estes modelos.

Acessórios importantíssimos: mochila (para ficar com as mãos livres e também porque você vai ter que carregar o almoço nas excursões), gorro (para proteger os ouvidos e também pra disfarçar o cabelo bagunçado pelo vento), óculos escuros e luvas (principalmente para fazer o minitrekking), filtro solar (o sol é forte), sacolinha de lixo (porque você vai para lugares onde não há lixeiras) e sacola retornável (porque os supermercados não têm sacolas). Ah, e protetor labial.

Há lojas que alugam e vendem casacos em El Calafate. Os preços são similares aos daqui, inclusive os de luvas e gorros – vendidos em quase todas as lojas turísticas. Mas se você quer comprar bons produtos com preços baixos, vá na Decathlon que vale muito a pena. Ou compre pelo site, as medidas dão certinho.

Anúncios

Um pensamento sobre “básico – el calafate

  1. […] Antes de mais nada, alerto que este post é grande. Bem grande! Afinal, foram seis dias na Patagônia. Depois de muitos posts abandonados, percebi que é muito mais fácil escrever tudo de uma vez só. Então, prepare seu cafezinho e vamos logo!Para informações práticas, aquelas essenciais – tipo quem, onde como e quando -, clique AQUI. […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: