sobre o zoo de luján

Polêmica! Polêmica!foto 1 (1)

O Zoológico de Luján fica um tanto longe de Buenos Aires. Dá pra ir por conta própria com ônibus comum, van ou por agência de turismo. O diferencial deste zoológico é que as pessoas podem entrar nas jaulas, acariciar felinos como leões e tigres e tirar fotos com eles. É aí que mora a controvérsia. Os animais são dopados? Sofrem maus tratos?

Li e pesquisei muito sobre o zoológico. A conclusão que tive foi que eu precisava ir pra ver com meus próprios olhos. 95% dos blogs e sites que criticam o zoo, na verdade, apenas replicam posts e opiniões. São pessoas que nunca foram lá e tem a pior ideia sobre o lugar. Um exemplo: o renomado Viagem na Viagem fez um post um tanto desinformado e tendencioso. Nos comentários (o meu está lá, fui na mesma época em que a autora foi), pessoas que só de ler o post já começaram abaixo assinado para fechar o zoológico. É uma consequência do nosso tempo, em que informações não são checadas, opiniões são tidas como verdades absolutas e  ninguém analisa nem reflete nada.

Agora falo sobre o que vi. Fui pra Buenos Aires no Carnaval de 2014 e planejava ir ao zoo na segunda feira. Não deu certo, pois tinha marcado com a Fabebus e acabei levando bolo ou eu que não entendi direito o local de encontro. Enfim, deixei pro dia seguinte, mas choveu, então fui na quarta, esperando um lamaçal no lugar. Muita gente se espanta, pois o zoo não é como um zoológico tradicional, parece mais uma grande chácara. O lugar não é bonito e o chão é de terra, por isso esperava um lamaçal – e não estava ruim. Depois de pagar o ingresso, recebi o mapa do local e fui direto para a jaula dos tigres. Era umas dez da manhã e tinha uma pequena fila. Fiquei apreensivo (afinal, vai que…) Observeu o animal, as pessoas, o tratador e estudando como deveria me comportar. Faltando um pessoa para minha vez, um tigre que estava deitado começou a andar pela jaula e a pular na grade, vendo a lhama que estava do outro lado. O que estava posando para as fotos também se levantou e começou a fazer o mesmo. Quem estava dentro teve que sair e a visitação foi interrompida por um momento. Eles se acalmaram e um deles voltou para seu lugar de tirar fotos.

As pessoas que criticam por criticar acham que lá é a casa da mãe joana, porém, há regras. Menores de 16 anos não podem entrar nas jaulas (estranho a autora do post do Viaje na Viagem ter levado a filha pequena), todos os pertences ficam do lado de fora, não se deve dar as costas aos animais, fazer barulho nem movimentos bruscos. Além disso, deve-se passar a mão apenas no torso, num movimento só. Já na primeira jaula vi que os animais não são dopados, há vários animais que se revezam e os tratadores são respeitosos e têm grande carinho por eles.foto 2 (2)

Como a jaula do tigre branco estava com fila, fui para a dos filhotes, que estava parcialmente coberta nas laterais para que fizesse sombra. O casal que estava na minha frente queria brincar e interagir mais com os filhotes de tigre, que estavam dormindo, meio que foram retirados à força. A jaula dos leões era a mais concorrida, mas o tempo passou rápido com a visita da lhama e dos gansos que queriam a comida vendida no zoo (uma mistura de milho, ração e outros grãos e farelos).  O leão estava deitado e acordado. O susto foi quando um outro que estava na jaula começou a rugir. Uma menina entrou na jaula carregando um garrafão para encher umas garrafinhas (as tais mamadeiras). Perguntei o que era e ela me disse que era “suco”, e bebeu na frente de todo mundo pra provar que não estava batizado.

O tratador me disse que o leão que eu tinha acariciado era filho do que tinha rugido. Uma das coisas que não se fala sobre o Zoo de  Luján é que ele é a maior reserva felina da América e que possui um grande banco genético. É muito bonitinho dizer que é contra zoológicos e coisas assim, mas zoos ainda são fundamentais para a conservação e preservação de diversas espécies (se não fosse por eles, o mico leão dourado e o jacaré de papo amarelo estariam extintos). Não apenas para reprodução, mas também para estudo. Quanto mais se sabe sobre o comportamento e hábitos, mais se sabe sobre como conservar as espécies em seus habitats naturais. Vivemos num mundo difícil em que há mais ameaças do que ações de preservação, e os zoológicos não são os mesmos de 20. 30. 50 anos atrás. É claro que há diversos tipos de zoológicos e nem todos tem essa preocupação.foto 3 (2)

Mas e então, como animais selvagens ficam tão mansos? Primeiro é preciso entender que eles nasceram em cativeiro. Nenhum daqueles felinos foi retirado da natureza. Desde o nascimento convivem com pessoas e cachorros, que são o termômetro comportamental. Se um leão ou tigre fica agitado, o cachorro entra em cena para brincar, por exemplo. Eles ainda possuem instinto, assim como um gato doméstico, só estão acostumados com pessoas.

Por que dormem tanto? Felinos têm hábito noturno, isso é fato. Qualquer pessoa que tem gato sabe que eles dormem a maior parte do dia. Eu já tive um gato por quase 18 anos e ele já ficou doente, precisando ser sedado. Ficava evidente quando ele estava dopado. Além do mais, nenhuma animal sobreviveria ser dopado diariamente, mesmo que levemente. Veterinários, biólogos, zoólogos e pessoas leigas como eu vão todos os anos ao Zoo de Luján para desmascarar a farsa. Até hoje não conseguiram muita coisa.

Os animais sofrem maus tratos? O que vi foram animais bonitos, com o pelo brilhante e bem nutridos. As jaulas tinham um bom tamanho e estavam limpas. O mau cheiro vinha apenas dos bodes e cabras, que são sempre fedidinhos.

Iria novamente? Acho que não. Tive uma ótima manhã, mas é longe de Buenos Aires, perde-se quase um dia inteiro e só há isso para se fazer – por isso os portenhos dizem que é programa de índio. Se você não entrar nas jaulas, vai ser um dia bem chato. E se estiver quente, talvez seja bem exaustivo. Se está com crianças, não vá, prefira o Temaiken.

Não estou defendo o Zoo de Luján nem quero incentivar ninguém a ir, minha intenção é dar uma visão lúcida do lugar, pois vejo muita gente falando coisas que não sabem e tomam partido só porque leram uma coisa ou viram uma foto (que nem identifica o local). Se você quer ir mas tem dúvidas quanto o lugar, eu sugiro fazer o mesmo que eu. Vá e tire suas próprias conclusões. Saí de lá como se tivesse ido ao zoológico normal. Não acho que eles sofrem mais que os animais do zoo do Rio, pelo menos lá não tem criança correndo, gritando nem atiçando o bicho.

Ninguém fala, mas parques como o Sea World são bem mais cruéis. Ver Blackfish (Netflix) e The Cove. Mais uma vez, se você quer ir, mas tem dúvidas, vá e tire as suas conclusões.

Como ir

O zoológico fica perto da cidade de Luján. No site tem o endereço completo, o valor da entrada e tudo mais. Eles aceitam real, mas dizem que o câmbio não é dos melhores. Evite os fins de semana e vá cedo.

A Fabebus faz o itinerário Buenos Aires – Luján. Quem já usou diz que é bem confortável, mas eu não tive sorte. Os horários estão no site. Não adianta mandar e-mail porque eles não respondem, tem que ligar pra fazer a reserva informando de onde vai sair. O número é pequeno mesmo, 2323 é o código da cidade de Luján.

De ônibus comum, é preciso ir até a Plaza Italia, em Palermo. O ponto fica na Av. Sarmiento com Santa Fé, paralelo ao zoo de Palermo, você vai ver um monte de ônibus. O 57 é um dos primeiros, mas pergunte ao motorista se vai passar pelo zoo, pois há outros ramais da mesma linha. A viagem leva cerca de duas horas e o momento mais demorado é quando entra na cidade de Moreno. O ônibus vai te deixar no meio do nada, mas é só passar por baixo do viaduto (sem perigo). Tem uma placa enorme. Para voltar, o 57 para em frente ao zoológico e retorna para a Plaza Italia. Para pegar o ônibus, é preciso ter o cartão Sube (veja aqui – na parte de transporte – o que raios é isso) ou pagar em moedas (o que não é uma tarefa fácil). Tenha crédito para ida e volta. Infelizmente não lembro o valor da tarifa. Como não tinha o suficiente, tive que ir até Luján. Pelo menos vi a catedral.

Catedral LujanDesculpe a qualidade das fotos. É que as fotos da máquina estão no computado avariado.

 

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