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Básico – Buenos Aires

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Eu tenho uma ótima relação com Buenos Aires. Amo a cidade e ela me ama.  É, eu posso dizer isso. Esta viagem foi minha terceira passagem por Buenos Aires. Fui com minha mãe no Carnaval passado, a primeira visita dela, então foi obrigação minha fazê-la amar a cidade tanto quanto eu. E eu acho que ela entendeu o porquê e voltou com BsAs no coração.

Como se planejar? Acho que a principal dúvida é quanto ao dinheiro. Primeiramente, não vale a pena trocar reais por pesos no Brasil. Você até pode levar uma quantia pequena para as primeiras despesas, mas saiba que o Banco de La Nación nos aeroportos vai ter uma cotação muito melhor. Dito isso, leia tudo que puder sobre a cidade, mas coisas recentes. Aquela dica dada por alguém que viajou dois, três, dez, vinte anos atrás já não vale. Toda cidade está em constante transformação. Saiba quais são suas opções, faça um roteiro por regiões e leve tudo anotado: restaurantes, lojas, lugares. Saiba não apenas o endereço, mas entre quais ruas o local fica, pois as ruas e avenidas de Buenos Aires cortam a cidade inteira. Google e Google Maps servem para isso. Faça o seu mapa. Infelizmente a cidade não conta com o Street View, embora os trabalhos tenham começado em setembro de 2013.

O que ver em Buenos Aires? É uma cidade grande, vai ter sempre um show, concerto ou exposição rolando. Para isso, acompanhe por aqui e aqui .

De pontos turísticos, temos o coloridinho Caminito e o estádio La Bombonera no bairro Boca, a feira de domingo em San Telmo, a Plaza de Mayo e Avenida de Mayo, o Obelisco, o Teatro Colón e as Galerías Pacífico, no Microcentro. O bairro da Recoleta já é uma atração em si, mas nele ficam a livraria El Ateneo Grand Splendid, o Cemitério, a Avenida Alvear, a Iglesia de N. S. de Pilar, o Museu de Bellas Artes e a Flor Metálica. Nos bosques de Palermo ficam o Jardín Japonés, o Rosedal, Jardim Zoológico e pertinho fica o Malba. Mas Buenos Aires vai muito além, acredite. É uma questão de experiência.

Onde ficar? Muita gente fala para não ficar no Microcentro. Eu concordo, mas entendo quem escolhe ficar lá. 20, 30 anos atrás, a região fervia dia e noite. Era lá onde tudo acontecia, com restaurantes, teatros e gente indo ao cinema de madrugada. Acontece que o Centro entrou em decadência, mas a hospedagem dos pacotes continuou sendo lá. Há facilidades para quem fica no centro, mas não há muitas opções bacanas de cafés e restaurantes, principalmente à noite. Abaixo, os prós e contras de cada bairro.

Microcentro. Prós: A locomoção é fácil. fica perto dos principais atrativos turístico e da rua Florida, que ainda oferece as melhores cotações de câmbio. Contras: É muvucado e exige mais atenção no quesito segurança. À noite, a região morre e as opções são poucas. Quem fica lá acaba tendo que se refugiar nos restaurantes de Puerto Madero.

San Telmo. Prós: Dizem que Buenos Aires nasceu em San Telmo. Muitos gostam da autenticidade dos casarios e prédios. Há alguns bares, restaurantes e cafés. Contras: O mesmo do Microcentro. É preciso ficar mais atento e as opções noturnas não são muitas.

Puerto Madero. Prós: É bonito de dia e de noite. Contras: É caro, acaba ficando meio distante de tudo e nem todos os restaurantes são a maravilha que parecem ser.

Recoleta. Prós: É o bairro mais bonito e elegante da cidade, tem atrações turísticas e muitos lugares para se descobrir. É relativamente central e seguro, permitindo caminhadas à noite. Também tem bons restaurantes e cafés. Contras: A hospedagem é mais cara que em outros bairros, mas pesquisando encontra-se boas ofertas. Não é um bairro muito badalado, o que obriga os mais baladeiros a irem até Palermo Soho. Também não tem metrô.

Palermo (Soho). Prós: Tem vários cantos novos para se descobrir e dá para caminhar de dia e de noite. Contras: Não é um bairro central, então pode ser meio longe para uma primeira viagem.

Palermo (Hollywood). Prós: Para quem gosta de badalar até o sol raiar.

Contras: Fica do outro lado da linha do trem, meio longe. Não há muita vida durante o dia.

Quando ir? O ano todo. O Rio da Prata deixa o verão muito úmido e quente. A primavera e o outono são muito agradáveis, fazendo friozinho de manhã e de noite. O inverno é bem frio. Não, não costuma nevar em Buenos Aires. Já nevou, mas é raro.

A previsão do tempo mais certeira é a do Servicio Metereologico Nacional, mas ele não faz previsão para muitos dias. O do Tempo Agora também funciona melhor que do Weather Channel, Yahoo e AccuWeather.

Que moeda levar? Atualmente, o governo argentino tenta manter o dólar na casa  dos oito pesos, enquanto no paralelo, a cotação oscila bem mais para cima. É difícil dar uma resposta definitiva, pois tudo muda constantemente. Mas pelo andar da carruagem, vale tanto levar real quanto dólar. Bom, se você tiver dólar, leve, mas se não tiver, leve apenas real. Cartão de crédito, débito, saques e VTM não valem a pena. Além do IOF de 6,38%, você vai passar por duas conversões do câmbio oficial. Fora que alguns estabelecimentos não aceitam cartões.

Sim, o que quero dizer é que é bem mais vantajoso você levar dinheiro em espécie. Como um bom blogueiro, devo aconselhar a trocar dinheiro em câmbios oficiais, mas, sério, todo mundo troca no paralelo. O governo faz mais que vista grossa e os lugares de troca são organizados e seguros, nada de beco no final da rua. Tenha apenas cuidado com notas falsas e basta procurar no Google pra saber com quem ou onde trocar. Quem quiser o “onde, como e quem?”, basta pedir nos comentários, ok?

Muitas lojas e restaurantes aceitam real e dólar, então fique atento, na maioria das vezes vale a pena.

No aeroporto, troque apenas o necessário para as primeiras despesas. O Banco de La Nación costuma ter as melhores cotações. Nos dois aeroportos, ele fica depois do portão de desembarque e funciona diariamente, 24 horas.

Se de BsAs você vai para outras regiões, saiba que o real não é tão bem aceito quanto na capital. Dólar é a moeda estrangeira mais aceita. A cotação paralela quase não existe nas outras cidades.

Mas quanto levar para Buenos Aires? Isso depende de muita coisa, fora a inflação galopante. Se você não liga para comida, se contenta apenas com empanadas e só vai para lugares gratuitos, com 50 reais dá pra passar o dia. Agora, se você quer comer muito bem, ir a lugares pagos como o Malba ou o Teatro Colón e tomar um sorvetinho, calcule uns 150 reais. Mas como eu disse, o quanto varia muito de pessoa para pessoa. Para ter uma ideia de quanto custa uma refeição naquele restaurante que você quer ir, dê uma olhada no Guía Oleo.

Documentos. Como faz parte do Mercosul, brasileiros não precisam de visto para entrar no país, basta a carteira de identidade ou o passaporte. Cidadãos estadunidenses, canadenses e australianos precisam pagar a taxa de reciprocidade. A taxa pode ser paga online. Mais informações, aqui.

A Argentina não exige vacinação nem seguro viagem, mas é bom ter. Os trâmites de imigração são tão fáceis que nem é preciso preencher formulário, mas as bagagens passam pelo raio-x antes de passar pelo portão do desembarque. Então nada de frutas, produtos de origem animal etc.

Como sair do aeroporto. Você pode chegar em Buenos Aires pelo aeroporto internacional Ministro Pistarini de Ezeiza, o popular Ezeiza, ou pelo Aeroparque, dentro da cidade. Seja lá por qual aeroporto você chegar, não saia com aqueles caras que ficam oferecendo táxi como se estivessem vendendo banana. Gaste um pouco mais e pegue um táxi oficial ou remis. Nem é caro e você não vai ter aborrecimento. Se fechar ida e volta, ganha desconto na volta. Se sua onda é economizar, repense se realmente vale a pena sair de ônibus, pois eles demoram e ficam cheios – e o Ezeiza é bem longe. Fora que os ônibus (com exceção do shuttle do Manuel) aceitam apenas moedas ou o cartão Sube.

Ezeiza: Taxi Ezeiza, Manuel Tienda de Leon (também tem ônibus que fazem shuttle), Remis World Car, Remis Vips Cars, Remis Transfer Express.

As linhas de ônibus que passam pelo Ezeiza estão aqui.

Aeroparque: Manuel Tienda León, Transfer Express e Trans Air. Evite pegar táxi parado na porta, há uma máfia de taxímetro adulterado velha conhecida de todos.

As linhas de ônibus que passam pelo Aeroparque estão aqui.

Em julho, um ônibus vai ligar o aeroporto aos principais pontos na cidade. O Arbus Aeroparque vai ter uma boa frequência e será possível pagar ainda no aeroporto, com cartão de crédito ou tarjeta SUBE.

Como se locomover. Buenos Aires é uma cidade muito fácil de se andar. A cidade é plana, os táxis são baratos, o metrô vai pra tudo que é canto e andar de ônibus pode ser um programão.

Na sua pesquisa para a viagem, anote não apenas o endereço dos lugares, mas também entre quais ruas ele fica. As ruas e avenidas da cidade cortam a cidade, então, para um taxista ou motorista de ônibus, a numeração não ajuda muito. E para você também vai ser melhor. Aliás, vá ao Google Maps e marque os lugares, assim você otimiza o seu roteiro.

Mas voltando aos endereços, por exemplo, eu fiquei no hotel Ulises, na Ayacucho 2016, mas toda vez que tomava um táxi, dizia “Ayacuho, entre Posadas y Alvear”.

Os ônibus só aceitam moedas ou o cartão Sube, que também é aceito no metrô e até para pagar pedágio. Com o Sube, a passagem fica mais barata e, sim, você pode comprar só um cartão para um monte de gente usar. Ah, metrô é subte e ônibus é colectivo, ok? E cartão é tarjeta. E se tiver fila, respeite! Argentinos adoram formar fila pra tudo.

Aqui está o mapa do metrô.

Aqui tem um mapa para saber qual ônibus pegar.

Tem também o Guía T, um livro que se encontra em qualquer banca de jornal e kiosco para saber que ônibus pegar.

Para saber onde comprar e recarregar seu cartão Sube, clique aqui.

Para saber quanto sua corrida de táxi vai dar (aproximadamente), clique aqui.

Andar de rádio-táxi é mais seguro, você os identifica pelo letreiro em cima do carro ou pelo nome da empresa na porta. Se pedir um táxi, você pagará uma taxa que varia de empresa para empresa, mas nada extorsivo.

Segurança. Desde a primeira vez que fui a Buenos Aires, todo mundo me soterra de alertas contra batedores de carteira, taxistas golpistas, garçons malandros etc. Nas três viagens, em nenhum momento me senti em perigo ou desconfortável. Confesso que nesta última, fiquei meio paranoico no primeiro dia, mas depois desencanei. Tome os mesmos cuidados que toma no Brasil.

Assaltos não são muitos comuns, mas furtos acontecem. Nada de carteira no bolso de trás da calça, não exponha objetos de valor e fique atento aos seus pertences. Só isso. E bom senso, não vá andar na rua deserta no meio da noite!

– Ande apenas com o dinheiro do dia e uma cópia da identidade/passaporte. Guarde tudo de valor no cofre do quarto do hotel. A velha doleira é de grande ajuda.

– Em lugares muvucados, principalmente no metrô e no centro, redobre a atenção. Bolsa e mochila para frente.

– Pague a corrida de táxi com trocados, só em último caso pague com uma nota de 100 pesos . Quando pedir a conta no restaurante, peça ao garçom para trocar uma nota, mesmo que seja por duas de 50. Nas duas vezes que pedi, me deram tudo em notas de 10.

– Se você notar que o taxímetro está voando e o motorista mexe insistentemente no rádio, peça para parar. A intenção dele é fazer com que você pague mais caro e com uma nota de 100 para ele trocar por uma falsa.

Os blogs que me ajudaram:

Buenos Aires Para Chicas – A Amanda era adolescente quando se mudou com a família para Buenos Aires. Foi uma tragédia para ela. Sua família já voltou ao Brasil e ela não quer mais ir embora de tanto que ama a cidade. Embora o título diga que é para chicas, serve para todos. Mistura comportamento, atualidades, dicas de passeios, baladas e restaurantes. Ela também escreve para o Destemperados.

My Villa Crespo – Blog da Mariana, uma brasileira que tem um hotel na Villa Crespo, o Querido. As dicas dela são excelentes. O blog anda meio parado porque ela teve uma filha recentemente!

Pindalolas – Blog da Naiara, que gosta de falar sobre o comportamento dos portenhos, diferenças culturais e achados em andanças.

Aquí Me Quedo – Uma expert em tango e dicas culturais.

Aires Buenos – Blog do Túlio, também residente de Buenos Aires.

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