dia 7 – puerto montt e frutillar – micros

Com a super dica de ir até o mercado de Puerto Montt, saímos do Santa Isabel em direção ao ponto [parada, como diz o povo]. De repente, o motorista do ônibus [que é micro, na verdade, e é assim que é chamado] que estava parado no sinal entendeu nossa linguagem corporal e nos chamou. Entramos correndo porque o sinal tinha acabado de abrir e o povo já estava meio impaciente. O motorista era super simpático. Perguntei se ia para Puerto Montt e ele disse, todo sorridente: “sim, sim, podem sentar que eu aviso”. Outro fofo.

Sentamos no fundão e o micro encheu rapidinho na parada onde devíamos ter pegado. Sorte nossa. Como o povo estava pagando e nós não desembolsamos um centavo, perguntei ao casalzinho ao lado quanto custava a passagem. Foi mega barato, menos de cinco reais para um trajeto de quase 20 quilômetros. Então fica a dica: para conhecer Puerto Montt e Frutillar, vá por conta própria. Por incrível que pareça, eu não dormi nem bocejei e a viagem me pareceu bem rápida. Da estrada, deu até para ver o Osorno. O ônibus pegou mais gente no caminho, no meio do nada, e ficou lotado. Detalhe que não há lugar para as pessoas se segurarem, o jeito é apertar o encosto do banco. A maioria desceu logo que entramos na cidade. O motorista falou para a gente esperar. Demos mais umas voltinhas – Puerto Montt não é uma cidade bonita – e chegamos ao porto. Ele parou fora do ponto e nos mandou seguir na contramão. Pagamos, agradecemos muito e fomos.IMG_0990osorno estrada

Como eu disse, Puerto Montt não é uma cidade bonita, é exatamente o que se espera de uma cidade portuária e grande, afinal, ela é a capital da Región de los Lagos. Andamos um bocadinho, passamos pelo porto, pensamos que estávamos perdidos [o que seria meio impossível] até que eu vi o mercado de artesanatos de Angelmó. Bom, não era ali. Diz a lenda que ali vivia um médico chamado Ángel Montt, mas os índios não conseguiam pronunciar direito e virou Angelmó. É mais ou menos como o for all e forró daqui, no entanto, os dois casos não são verdadeiros. Não há nenhum registro de Ángel Montt e forró vem de forrobodó.

Depois de passarmos por pescadores oferecendo passeio, adolescentes curiosos e gente fazendo propaganda de restaurante, finalmente chegamos no mercado de peixes. Eu gostei de lá, embora muitas bancas já estivessem fechadas, pois já passava das cinco. O lugar estava movimentado, mas achamos o salmão defumado [na verdade, ele é diferente do salmão que a gente conhece]. E a moça do supermercado estava corretíssima, era super barato. Um filé inteiro custava entre 25 e 30 reais, embalado à vácuo e tudo. Perguntei como fazia para pegar um ônibus para Frutillar. A menina [era realmente uma menina, tipo 17 anos] disse para pegar um colectivo e ir até o terminal de ônibus. Foi o que a gente fez.IMG_0993IMG_0994IMG_0999IMG_0997IMG_0998

Embora colectivo signifique ônibus em alguns lugares, como em Buenos Aires, no Chile, são como táxis com rota. Um colectivo com uma passageira parou bem no portão do mercado. Perguntei se parava no terminal de buses, o motorista e a passageira disseram que sim, então coloquei meus tios [que não estavam entendendo muito bem porque estavam num táxi com uma desconhecida] e eles foram. Em seguida veio outro colectivo vazio, deu para irmos nós três. O motorista era um senhor muito simpático. Meus tios disseram que o motorista deles também era simpático e eles adoraram a ideia de táxi compartilhado. Cada um pagou menos de dois reais, eu acho. Sinceramente, não lembro de ter pagado, mas não demos bolo, acho que meu pai pagou.No terminal, perguntei ao guardinha onde comprava passagem para Frutillar. Ele deu uma risadinha [mas sem deboche] e disse que era só virar e procurar os micros.

A passagem foi um pouco mais cara, pois a distância era maior [uns 45 km], mas mesmo assim, baratíssimo! O motorista também era bem simpático. Felizmente só conhecemos gente legal, simpática e atenciosa. Juro! O legal desses micros é que eles são velhos, alguns caindo aos pedaços, mas os bancos são muito confortáveis, Lembrei do banco do corcel que meu tio tinha quando eu era criança. Era velho, fazia uma nuvem de poeira, mas era ótimo. O do monza classic também era the best. E todos os motoristas dirigem ouvindo rádio, que toca música mais ou menos recente e roquinhos dos anos 1980 e 1990. Eu adorei andar de micro e acho que é uma boa atração turística.

O ônibus fez uma parada em Puerto Varas, onde encheu. Parou mais algumas vezes na estrada e entrou em Llanquihué, uma cidadezinha também banhada pelo lago, onde pegou muita gente. Frutillar é dividida em Alto e Bajo. A parte legal e turística é a Bajo, de frente pro lago, que foi onde descemos.

A cidade também foi colonizada por alemães, também é muito bonita e agradável, muitos a consideram a mais bonita da região, mas menos badalada. A época mais cheia é realmente no verão, quando acontecem as semanas de jazz e música clássica no Teatro del Lago. E não pense que são semanas sem grande importância, quem toca lá é gente do naipe do Itzhak Perlman e Yo-Yo Ma, cachái?  Ah, e o mais importante. É de Frutillar que se tem a melhor vista do Llanquihue e do Osorno.osorno frutillarIMG_1014

Tinha muita família aproveitando o fim de tarde, inclusive na água. Fomos tomar um café e usamos um banheiro público. Uma das coisas que mais incomodam os turistas no Chile é o fato de ter que pagar para usar o banheiro [este foi o único que tivemos que parar]. Pessoalmente, a coisa que mais me incomodou foi o moço que ficou na porta do banheiro me esperando porque eu era o único ali. Não que ele tenha me apressado, pelo contrário, como eu disse, todo mundo foi muito simpático com nosotros, mas eu é que tenho problemas. Não consigo me aliviar com gente por perto ou me olhando, ainda mais com a porta aberta pra rua. Demorou mas saiu. Desculpe a confissão, mas ninguém fala publicamente dessas coisas e muita gente sofre se achando esquisito.

Pegamos o ônibus numa rua transversal [é só perguntar que todo mundo sabe], bem no ponto final. O valor da passagem era outro, um pouco mais caro que o trecho P. Varas – P. Montt. Paramos numa rodoviária, que mais parecia uma pintura do Edward Hopper de tão melancólica. Seguimos viagem. Teve gente que desceu no meio do nada, entramos em Llanquihue e chegamos sãos e salvos em Puerto Varas. Se o micro tivesse deixado a gente na esquina do hotel, teria sido melhor ainda.

Ninguém quis jantar. Só meu pai e eu fomos comer algo no La Gringa, bem na esquina. No entanto, à noite, a casa onde funciona o La Gringa fica só pro Mercado 605. O La Gringa foi fundado por uma publicitária americana que gostava de cozinhar e um jovem chileno. O negócio deu muito certo e eles fundaram o Mercado 605 na mesma casa, com amigos entendedores de vinho. Tomamos uma sopa de cebola e comemos uns tapas. O lugar era muito jeitosinho, cheio de detalhes, mas nada de frufrus. O que chamou atenção foi o que parecia ser uma boate do outro lado da rua. Parecia casa da luz vermelha. Eu não me arriscaria.

IMG_1029IMG_1028IMG_1027 O La Gringa e o Mercado 605 logo atrás.

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