dia 7 – osorno, petrohué, todos los santos – top of the lake

O senhor das cerejas errou a previsão. Estava tudo encoberto. Até pior que os outros dias.

A saída do hotel foi só às 9:30, então tivemos muito tempo para tomar café e coisa e tal. Café, não, pois não era nenhuma maravilha, mas o chá não tinha erro. Eu estava meio borocoxô por causa do tempo, Enfim, ninguém controla o clima.

O caminho até o Parque Nacional Vicente Pérez Rosales é longuinho, quase 50 km, mas é lindo! Do lado esquerdo tínhamos o Lago Llanquihue, e do lado direito, os campos e as montanhas. Passamos por rios, casas antigas, pousadas, a escola alemã e, do nada, o supermercado Jumbo e o restaurante La Olla [literalmente mãe da La Ollita, que não conseguimos ir na noite anterior].

mapavolcansaltos

Paramos num mirante para ver o Llanquihue. Seguimos mais um pouco e demos de cara com lhamas! Embora estivessem soltas, elas eram de uma fazenda. Curiosíssimas, chegaram bem perto do carro. lhamasEntramos no parque por uma bifurcação para subir o Vulcão Osorno. A base do vulcão é desoladora. Embora sua última erupção tenha ocorrido em 1869 [o Osorno está apenas adormecido], não há nada além de rocha e matinhos. O caminho, embora totalmente asfaltado, é bem sinuoso. E de repente surgiram árvores e a estrada passou a ser margeada por uma intensa floresta sem trilhas.

A estação de esqui do Osorno fica mais ou menos no meio do vulcão. Estava um frio de rachar! Era só abrir a boca que saia aquela fumacinha que a gente acha tão legal. Deu para ter uma panorâmica do Llanquihue e também do Lago Todos los Santos, com a Argentina ao fundo. Lindo e incrível! Eu sei que não dá para ver bem pelas fotos, mas estar em cima do vulcão e ter aquela vista toda foi algo único! Sabe quando o Mufasa mostra o reino pro Simba? Então, foi mais ou menos aquilo, mas num vulcão, o que é sempre mais legal. É possível subir até o cume a pé ou através de dois trechos de teleférico, pagos por trecho. Como estava tudo branco, bem fantasmagórico, e estava um frio uluante, não subimos, apenas nos contentamos com a vista da estação.osornoosorno caminhovista osornoosorno telefericosIMG_0935

Meus tios não aguentaram o frio e entraram imediatamente na cafeteria, nem deram uma volta. Entramos depois e tomamos um chocolate quente que estava morno. A água do banheiro era a coisa mais gelada que já toquei. Incrível, pena que o tempo não estava bom. Há também uma tirolesa, que era o que eu tanto queria fazer. Hahaha! No final do post tem todo o serviço do Osorno.

Na descida, paramos num mirante, que é uma das crateras do Osorno. E pasmem, o topo começou a se mostrar. Um striptease bem comportadinho. Descemos todo o vulcão para sair do parque e entrar novamente nele, mas dessa vez pela entrada do rio Petrohue. Fomos direto ao Lago Todos los Santos e o tempo começou a melhorar consideravelmente. Quando estávamos quase chegando, vimos o Osorno por completo, apenas com uma nuvem cobrindo as partes íntimas. Sexy sem ser vulgar. Surreal! Parecia mentira. De onde estávamos, no acostamento, não sabíamos pra onde olhar. O Osorno de uma lado e as águas cor de turquesa do Petrohue do outro.rio petrohueosorno estradaosorno cumeEsta “clareira” da primeira foto é formada pelo degelo que  escorre até o Petrohué.

Tinha muita gente no cais da praia do Lago Todos los Santos, mas a vista era absolutamente fantástica! Do Lago Todos los Santos começa o Travessia dos Lagos até Bariloche, uma viagem que pode ser feita em um ou em até três dias, num sobe e desce em embarcações e ônibus. De lá também se vai até Peula, a primeira parada da Travessia e onde se pode passar o dia. Nós fizemos apenas uma navegação de 10 minutos, rápido, meio cortesia, mas o suficiente para termos uma vista incrível do Osorno, do Vulcão Puntiagudo e do Tronador, a exata fronteira com a Argentina. O Todo los Santos também é conhecido como Lago Esmeralda por causa da cor de sua água. Realmente é verde-esmeralda e menos gelada do que eu esperava, pena que não dá pra ver bem nas fotos. Por causa da chuva nos dias anteriores, tivemos a felicidade de não ter conhecido os tábanos, mosquitos gigantes que infestam a região no fim de dezembro e início de janeiro.tronador bariloche todos los santos caisTodos los santos 3puntiagudoosorno totalTudo parece muito fake, mas é só esfregar os olhos e se beliscar para ver que é bem real. Na primeira foto, o pico nevado é o Tronador. Nas fotos mais abaixo temos o Puntiagudo e o Osorno em seu magnificência.

Voltamos pelo mesmo caminho até a entrada do Saltos de Petrohue. Da estrada não dava para ver nada por causa da mata, o que foi até bom, pois assim a gente teve um impacto. A entrada é cobrada separadamente [1.500 pesos]. Depois da bilheteria, seguimos uma trilha bem simples até uma ponte. E então começaram as passarelas para ver as corredeiras. Embora a água venha do Lago Todos los Santos, a cor ali era turquesa. Hipnotizante. A erupção do Osorno formou as rochas onde ficam as passarelas e, obviamente, as corredeiras. Não é muito grande, mas a força, o som e a cor da água impressionam. Mais uma vez tivemos o Osorno e o Puntiagudo como pano de fundo. petrohuepetrohue kataratasIMG_0977 IMG_0972 IMG_0966 IMG_0970Eu sempre digo que cada lugar tem sua iluminação própria. O céu do Chile é de um azul de três tons e às vezes fica claríssimo. E, sim, a água é deste azul mesmo.

Juan Pablo nos deu a opção de almoçar em Ensenada [um vilarejo na entrada do parque] ou na cidade. Retornamos para Puerto Varas, onde ele nos deixou no centro. Óbvio que senti um sono absurdo no caminho de volta. Estrada é um sonífero para mim. Nos despedimos de Juan Pablo e andamos uns dez metros até o final da rua para almoçar no Las Buenas Brasas.

O restaurantes é um dos mais tradicionais na cidade e tem um jardim muito bonito. Ele fica meio escondido, no final de uma rua sem saída. O ambiente interno é bem simples, nada de requinte e glamour, ideal para ir com a família. O forte da casa são os mariscos e pescados, mas as carnes também merecem atenção. Como já era tarde, quase três da tarde, o lugar estava meio vazio. Aliás, como os turistas passam o dia inteiro fora, a cidade fica vazia durante o dia. O atendimento foi razoável, um garçom pegou nosso pedido de bebidas e não voltou mais. Um outro, do bar, vendo que estávamos sem nada na mesa, veio nos perguntar se já tínhamos feito o pedido. Como vimos que o primeiro garçom estava de papo na outra sala, refizemos o pedido, que chegou rapidinho. Em seguida pedimos o jardín del mar [uma degustação de vários mariscos] e cada um pediu um prato – o que certamente foi um exagero.

O jardín del mar é tudo o que o mar do Chile tem a oferecer de melhor, são aquelas exclusividades da Corrente de Humboldt que a gente não sabe muito bem o que são, mas que são uma delícia: macha [gostei muito de macha], loco, picoroco, carne de centolla [aquele caranguejo gigante que custa os olhos da cara em Santiago], pinza de jaiba [patola de caranguejo], casquinha de jaiba [não precisava do queijo gratinado, mas tava deli], vieira, ceviche de camarão e uma coisa que eu não lembro o nome e nem encontrei na internê. A única coisa que foi mais ou menos no almoço foi o pisco sour. Saímos muitíssimo satisfeitos. Não me pergunte quanto foi a conta porque eu perdi a notinha, mas lembro que foi um preço justo.

De lá fomos até a casa de câmbio trocar mais um pouco de dinheiro e depois fomos atrás do salmão defumado que todo mundo queria. Segundo o senhor da casa de câmbio, a gente encontraria salmão no supermercado Santa Isabel, mas chegando lá, a funcionária disse que não tinha e deu a super dica para ir até Puerto Montt. Tecla SAP: “Vá a Puerto Montt. O salmão que chega aqui é em pedaços pequenos e custa muito caro, lá é baratinho, é só pegar o ônibus aqui na esquina”. Fofa.

Continua.

Há várias excursões saindo de Puerto Varas. Como dito no post, uma vai para Peulla [que eu deixei de lado por achar que não há muito o que fazer além de comprar atividades do hotel], mas há outras diferentes como as águas termais em Peyehue, o Parque Nacional Alerce Andino e o pouco explorado Parque Tagua Tagua [ou Tahua Tahua]. Se você for mais aventureiro, há corredeiras, exploração de cavernas e trekking e montanhismo no lindo Vale de Cochamó [mas aí é preciso muitos dias].

Anúncios
Etiquetado , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: