dia 5 – puerto varas – indiozinho quer solzinho

Já aconteceu mais de uma vez comigo e é bem chato. Ninguém merece viajar com mau tempo e chuva. Quer dizer, algumas pessoas merecem até coisa pior, tipo diarreia no avião. Como se eu tivesse cacife para mandar em alguma coisa, implorei a São Pedro para tirar aquelas nuvenzinhas cinzas com trovão dramático da previsão do tempo. Da janela do avião vimos paisagens lindas! os Andes, picos com neve, vulcões, rios, lagos… estávamos perto e quase nenhuma nuvem. “Estes meteorologistas sabichões são uma fraude. Rararara”. E de repente a janela ficou branca. Fuen fuen fuen!

Andes aviao 12Andes aviao 8Andes aviao 13

Algumas horas antes:

Acordamos cedo, mas a preguiça de levantar e arrumar as coisas era enorme. Felizmente quase tudo já estava arrumado. Viajar cansa, mas não dá pra reclamar. O carro da Transvip estava marcado para pouco antes das oito e ele chegou pontualmente. O voo para Puerto Montt saía às 10:40, mas como eu não sabia quanto tempo ia gastar com o deslocamento e o check-in, marquei para chegar ao aeroporto às 9h. Poderia ter marcado 9:30h, pois as ruas estavam desertas e o aeroporto estava vazio. Fomos prontamente atendidos por uma funcionária da LAN. Deu pra tomar café tranquilamente no Gatsby, mas não recomendo o lugar. No andar de baixo, bem no canto, depois dos banheiros, há outras cafeterias e lanchonetes que me pareceram melhores.

Santiago estava dourada com o sol ainda fraquinho. Nos despedimos dos cachorros, dos prédios e das casinhas já com saudades. Num geral, a cidade não é espetacular e nem incrivelmente vibrante, mas é deliciosa! É um lugar em que todos são muito educados e atenciosos, tudo funciona como deve e a cultura é uma mistura da herança espanhola com e a bagagem trazida pelos imigrantes e da influência do vizinho Peru. E, claro, da cultura mapuche. É preciso tempo e muita caminhada para entender como um país que até certo ponto teve uma história parecida com a nossa, de repente tomou um outro rumo. Santiago é como uma pessoa tímida, você só conhece aos poucos. Uma cidade pra se visitar mais de uma vez.santiago amanhecerVista da varanda do quarto.

Chovia e fazia um frio de 10ºC em Puerto Montt. Aterrizamos por volta das 12:20 e todo o processo de pegar as malas foi bem rápido. Juan Pablo [ainda bem que ele atendeu o celular e disse seu nome, porque eu tinha esquecido completamente], nosso guia, estava segurando uma plaquinha com meu nome escrito. Adoro essas coisas, me sinto num programa de auditório. “Masato, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver”. 

Puerto Montt fica a 20 minutos de Puerto Varas. É a capital da Región de los Lagos. Eu não sei bem por quê, mas eu estava meio grogue na van e não consegui prestar atenção em muita coisa. Bla bla bla Whiskas Sachê. Foi bem assim mesmo. Do que me lembro foi que pegamos a Rodovia Panamericana, que vai da pontinha norte do Alaska até perto de Valparaíso, onde tem uma bifurcação e um caminho vai para a Argentina, até Ushuaia, e o outro desce até a ponto mais ao sul da Ilha de Chiloé. Juan disse que o caminho argentino não era a Panamericana, mas quando fui a Ushuaia, disseram que era. Num outro mapa, a rodovia nem tem bifurcação e vai direto pra Argentina. Honestamente, pouco me importava qual era o caminho oficial, então a conversa ficou daquele jeito. A verdade é que chilenos e argentinos não se bicam, e isso eu observei em Santiago. Não sei o motivo, e me pareceu mais antipatia que provocação. De qualquer forma, acho esses papos de uma besteira infinita e deixo claro que eu ❤ chilenos e argentinos.

Ele também falou sobre o clima na região dos lagos, onde há mais dias chuvosos que de sol [sério, são 200 e tantos dias de chuva por ano]. Enquanto a precipitação anual em Santiago é de 40 centímetros, em Puerto Varas é de mais de 2 metros. Entramos em Puerto Varas e a cidade estava cinza. Não dava nem pra ver o contorno do outro lado do Lago Llanquihue. Mas de cara notamos porque o apelido dela é Cidade das Rosas. Havia roseiras floridas nos jardins, nos canteiros e até nos terrenos baldios. E rosas enormes, de cores diversas!puerto varas chuva puerto varas chuva 2cidade das rosasAs duas primeiras fotos mostram a vista que a gente tinha da rua do hotel. Nem parece, mas há dois vulcões do outro lado do lago. E esta não foi a rosa mais bonita que vimos, mas a única que fotografei.

Todas as cidades nas margens do lago [Frutillar e Puerto Octay] foram fundadas por imigrantes alemães que chegaram no século 19 com o intuito de habitar e enfraquecer o poder dos índios que controlavam a região. A arquitetura de Puerto Varas tenta se manter fiel e ainda há casas com as mesmas características originais. Puerto Varas 2puerto varas casa

Nosso hotel, Casa Kalfu, era todo de madeira e pintado de azul [kalfu em Mapudungún, a língua dos índios Mapuche, significa azul], com um lindo jardim e cheio de detalhes na decoração. Quem nos recepcionou foi a Paulina, muito simpática. Aliás, todos os funcionários do hotel foram muito atenciosos. Ficamos em quartos no térreo [3 e 4], então deu pra aproveitar o wi fi sem ter que ir pro lobby. Deixamos as malas e nos agasalhamos melhor. Como era dia 1º de janeiro, não havia muita opção de restaurante. Paulina nos indicou o do Hotel Bellavista.Kalfu jardimKalfukalfu gatosEstes gatos viviam no jardim [uma vez vi o ciza no telhado] e sempre apareciam do nada. Lindos e carentes. Obviamente, estas fotos foram tiradas num outro dia.ya gatoE o gato oficial do hotel. Gata, na verdade. Sim, somos dessas pessoas que curtem tudo sobre gatos [amamos outros animais também, é claro] e só nos hospedamos na Casa Kalfu porque o hotel era cat-friendly.

Até o Bellavista, já no centro da cidade, foram menos de 10 minutos de caminhada. Para ir até lá, tínhamos uma passagem só para pedestres com uma encosta povoada por flores que brigavam por um espacinho com vista para o lago. Passamos também em frente [ou os fundos] do luxuoso hotel Cumbres Patagónicas. Apesar de ser O Hotel da região, os jardins e os canteiros do terraço eram de um pobreza só.floresflores 2Esta flor amarela tinha em tudo que era canto. Segundo o Juan Pablo, ela foi trazida pelos colonos alemães. O brinco de princesa também estava em todos os jardins e canteiros, e em diferentes tamanhos. No Chile, esta flor é chamada pelo nome científico, fuchsia.  

O restaurante do Bellavista era bem simples, com apenas dois atendentes trabalhando no salão. Foi um bom almoço, especialmente o prato que minha mãe pediu, um canelone de siri.

Demos um rolé pelo centro, mas estava tudo fechado. Minha tia queria trocar dinheiro e uma dupla de carabineros nos ajudou. Sério, eles nos levaram até dentro do cassino, só faltou pegar pela mão. O cassino era o único cambio aberto no dia e, claro, a cotação era bem ruim. Depois reencontramos os carabineros, que nos fizeram uma série de perguntas, curiosíssimos mas sem serem enxeridos! Voltamos para o hotel para descansar.

Mais tarde, fui sozinho para o outro lado da cidade e vi, pasmem, gente brincando na água [mais ou menos 12º/15ºC]. Outros pescavam tranquilamente. No lago há salmões e trutas, mas parecia que ninguém estava com sorte. De volta ao hotel, meu pai estava no décimo sono e perguntei se ninguém queria sair pra dar uma volta e comprar água ou alguma besteira. Fui de novo pro centro, onde mais tarde encontrei minha mãe e minha tia. Aproveitei para tirar fotos de um dos cartões postais de Puerto Varas, a Iglesia de Sagrado Corazón.Puerto varas banhoPuerto Varas 3

No fim da tarde, alguns estabelecimentos abriram. Mas o único mercado aberto que encontramos era uma mercearia estreitíssima em que apenas uma ou duas pessoas podiam entrar de cada vez [Supermercado do Beto]. Compramos água, uma pasta de salmão [disseram que era ótima, não provei] e água.

Paro tudo pra falar um pouco da água chilena. A água que sai da torneira é potável, mas não é indicada para os turistas tomarem. Isso porque ela contém muito minerais que podem até causar dor de barriga em quem não está acostumado. Das águas engarrafadas que tomei durante a viagem, só não gostei da Cachantun, justamente a única que tinha no Supermercado do Beto. Achei ela “pesada” e meio salgada. Tanto que sobrou mais de meia garrafa. A preferida foi a Benedictino. Vital e Porvenir também eram boas.

Depois paramos para um kuchen  de cerejas [explico o que é no post seguinte] e um suco de framboesa. Embora eu tivesse um casaco melhor, o casaco que comprei na Falabella foi de grande serventia por causa do capuz. E sentado numa mesa na calçada, ele me protegeu do vento. Apesar do serviço simpático da própria dona do lugar, o kuchen não estava muito bom,

Nos perdemos ao voltar para o hotel porque decidimos ir pelas ruas de trás. Quer dizer, não por este motivo, foi porque a gente tentou cortar caminho. Acabamos dando um rolê pela “periferia”, vimos um monte de jardins, cachorros latiram pra gente e ainda atravessamos um matagal. No fim das contas, era só ter seguido a rua direto. 

Mais uma vez não sei como aconteceu, mas quando cheguei no quarto, me bateu um cansaço tão grande que fiquei novamente grogue. Não parecia, mas já passava das nove [lá, o sol se põe às 23h no verão]. Por que às vezes é tão trabalhoso passar o fio dental? Tomei banho e caí na cama. Bendita seja a pessoa do hotel que fez questão de oferecer toalhas e roupas de cama de qualidade! Me senti no comercial do Fofo e dormi como se não houvesse amanhã.

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Em Puerto Varas, usamos os serviços da Patagonia Travel, uma agência local. Tudo foi acertado por e-mail e o pagamento foi feito neste primeiro dia.

Quando estava planejando a viagem, fiz várias buscas sobre avaliações das agências de lá. Encontrei comentários apenas da onipresente Turistour. Os comentários não eram bons, mas parece que as coisas melhoraram um pouco. Sobre a Patagonia Travel, não encontrei nada. Acabou que os traslados e todos os passeios foram feitos de forma particular e fomos muito bem atendidos.

Já o hotel Casa Kalfu foi uma opção econômica na cidade. Apesar de parecer uma cidade tranquila e vazia, Puerto Varas é a capital turística da região dos lagos. Os hotéis ficam cheios, então é mais que recomendável ir com reservas, principalmente durante a alta temporada.

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