dia 4 – santiago – a última ceia

Em qualquer lugar do mundo que segue o calendário gregoriano, a noite de ano novo é uma interrogação para o turista, afinal, quase tudo fecha e nada abre no dia seguinte. E às vezes é muito difícil encontrar informações sobre jantares e festas. Santiago foi assim. Informações sobre o badalado Réveillon em Valparaiso e Viña tinha aos montes, mas e em Santiago?

Bom, se você planeja passar o Ano Novo em Santiago, você precisa se planejar e pesquisar muito! Restaurantes de hotéis, como os do W, costumam cobrar os olhos da cara [+ um rim] por um jantar e festa pós-meia noite. E mesmo que seja só jantar, custa os olhos mesmo. A grande maioria dos restaurantes fecha, e os que atendem, só aceitam reservas para um menu especial até às 21h.

Durante meu planejamento, disparei e-mails para vários restaurantes, mas poucos me retornaram. Considerei que a maioria não funcionaria mesmo. O El Jardín de Epicuro me disse que teria um menu especial, mas que publicaria no site numa data mais próxima. Meio que esqueci e, em cima da hora, entrei no site: 35.000 pesos por pessoa para um jantar com aperitivo, entrada, prato principal, sobremesa e bebidas [cerca de 175 reais]. O Enebro estava cobrando 85.000. Consultei as pessoas do grupo e elas aceitaram o El Jardín.

Para dizer a verdade, eu acho que ninguém estava com muita fome, mas o último jantar de 2013 estava reservado para às 20h. Nos arrumamos e fomos bonitinhos até o restaurante, um pequeno e simpático restaurante pertíssimo do nosso hotel. As ruas estavam desertas, até os cachorros tinham sumido. As únicas almas vivas eram os porteiros de alguns prédios, tentando se conformar com o trabalho naquela noite.

Quando chegamos no restaurante, o único aberto numa rua praticamente só de restaurantes, havia um casal que deu com os burros n’água. Eles não tinham reserva e tiveram que dar meia volta. Insistiram, mas sem sucesso. Provavelmente devem ter passado fome, pois não havia nada aberto [nem um quiosquinho] e nada abre no dia 1º*. Pois bem, se você não quer gastar uma grana [ou um granão] num jantar, a dica é comprar comida, frios, queijos e outras guloseimas nos supermercados, comer no quarto e depois sair para ver os fogos ou badalar em alguma festa. Garanta também comida para o dia seguinte. A Coquinaria tem um mercado gourmet e pode ser uma boa opção.

O garçom foi super simpático e nos mostrou nossa mesa, nos fundos, no “jardim”, um espaço coberto com toldo e uma parede cheia de vasos de plantas. No início me pareceu quente, mas com o anoitecer, virou um espaço muito agradável. Ele logo perguntou se preferíamos um pisco sour ou uma taça de espumante, esta bebida acompanharia o aperitivo: duas ostras, uma fatia de foie grais e purê de pera – tudo uma delícia! Ok, me julgue, mas eu amo foie grais. Todo mundo foi de espumante. O meu me acompanhou por todo o jantar, já que não costumo beber. Depois do aperitivo, ele nos trouxe o vinho que acompanharia o mero com purê de maçã e redução de capim-limão. Ninguém quis o vinho e o povo decidiu beber água. Eu pedi um suco de framboesa [definitivamente, o melhor que tomei durante toda a viagem]. O prato seguinte foi um confit de pato com molho de cerejas. Delicioso! E a sobremesa foi o que eles chamaram de texturas de framboesa e lichia. Num prato caracol, cremes e gelatinas das duas frutas se esbarravam. Mas eu acho que as gelatinas não firmaram muito bem ou derreteram mesmo – houve quedas de energia no restaurante. Pelo menos o gosto estava bom.jantar ano novojantar ano novo 2Foi mal pela qualidade das fotos.

Voltamos pro hotel por volta das 22:30. Todos estavam cansados, minha mãe estava quase dormindo durante o jantar. Eu tentei me animar para ir até a Torre Entel ou até Los Dominicos para ver os fogos, mas fiquei com uma baita preguiça. Nem sabia se ainda tinha créditos no cartão do metrô**. Quando deu meia-noite, eu pude ver mais ou menos alguns fogos da varanda, ou, pelo menos, as luzes. Calcei o tênis e desci correndo para poder ver melhor do rio. Ainda bem que estava de calça [sim, na pressa, eu já fui até o elevador sem calça]. Os fogos vinham do topo do Sheraton. Não eram impressionantes, mas eram fogos! O povo vibrava loucamente. Carros paravam na ponte e as pessoas cantavam e se abraçavam. “Chi-chi-chi-le-le-le! Viva Chile!”. Perto de mim, um pobre cachorro tentava dormir, totalmente alheio ao furdunço. Foi meu primeiro amigo de 2014. Estava meio frio, tinha descido só de camiseta. Subi, deixei tudo mais ou menos organizado pro dia seguinte e dormi. fogos

Talvez apenas no Brasil as pessoas acreditam piamente que tudo pode mudar da noite do dia 31 para o dia 1º. É claro que nada muda, só pra quem ganha na Mega da Virada. Mas a gente gosta de acreditar que sim, e talvez por isso que as festas de réveillon no Brasil são consideradas as melhores do mundo. No Chile, as pessoas costumam fazer a ceia em família e depois cada um vai pro seu canto. Os fogos valem por seu espetáculo e também como um ponto final para o ano que passou, ou uma boas-vindas para o novo. Como no carnaval, as pessoas jogam confetes e usam máscaras e outros adereços. Se abraçam e abraçam até os carabineros! A simpatia é pegar uma mala e dar uma volta na sala, na casa, no quarteirão… tudo pra viajar bastante durante o ano. Ninguém se veste de branco, mas assim como aqui, a cor da roupa íntima é uma simpatia para ter dinheiro, amor, paz…. e todas as coisas boas.

*O Chile protege muito os seus trabalhadores, por isso é proibido trabalhar em algumas datas, como 1º de janeiro, 1º de maio, 18 de setembro e 25 de dezembro. São datas em que os trabalhadores devem passar com suas famílias. O comércio até pode abrir, mas só os familiares do proprietário podem trabalhar.

**A Linha 1 do metrô funciona até às 2h na virada do ano. No entanto, as bilheterias fecham em horário normal. Se seu plano é ir ver os fogos da Torre Entel ou em Los Dominicos, não esqueça de carregar previamente o cartão. Fique atento também ao funcionamento das estações perto da Torre Entel. No mais, é só seguir o fluxo.

Para saber como é a queima de fogos na Torre Entel e a Festa no Castillo Hidalgo, veja o post do Alessandro. Além da festa no Hidalgo, a do Club Hípico também é super badalada, tem o post do outro Alessandro.

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2 pensamentos sobre “dia 4 – santiago – a última ceia

  1. Olá, muito obrigado pela indicação do “Batalhas pelo Mundo”.
    Espero que você cure logo sua depressão pós-viagem… Eu estou sentindo uma neste momento, pois minhas férias acabam semana que vem! hehehe
    Grande abraço,
    Alessandro Batalha

    • alexandre disse:

      Tentando curar a depressão com outra viagem – é a solução cavalar!
      Mas nem tinha como não citar seu blog. Na verdade, tenho ainda que fazer a seção de links.

      Abraço!

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